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quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Sorte e eficácia

Vencemos o Borussia Dortmund por 1-0 na 1ª mão dos oitavos-de-final da Champions. Perante um adversário fortíssimo, não me custa nada a admitir que tivemos bastante sorte, um grande guarda-redes e que o resultado foi lisonjeiro para nós. Mas o futebol consegue ser imprevisível e sabe muito bem quando é a nosso favor!

Com o Jonas indisponível por problemas na coluna e o Zivkovic castigado ainda do tempo do Partizan, o Rui Vitória apostou no Rafa e manteve o Carrillo a titular. Entrámos bem nos primeiros cinco minutos, em que o Salvio deveria ter feito melhor quando estava em boa posição, mas o remate saiu demasiado torto. E, pronto, foi tudo da nossa parte até ao intervalo… Os alemães controlaram completamente a partida e foram criando oportunidades para marcar, mas o Aubameyang & Cia tiveram felizmente um jogo para esquecer em termos de finalização. O gabonês falhou isolado perante o Ederson pouco depois dos dez minutos, o Lindelof cortou um remate do Dembélé que ia para a baliza e o Fejsa não conseguiu proteger a bola perante o Raphael Guerreiro, que ainda centrou, mas o Aubameyang chegou atrasado. Ou seja, poderíamos bem ter chegado ao intervalo com a eliminatória decidida contra nós. A posse de bola do Dortmund era brutal e nós não conseguíamos ligar um passe.

Para a 2ª parte, o Rui Vitória decidiu que estava na altura de voltar a jogar com 11 e tirou o Carrillo, que depois da grande exibição frente ao Arouca (ah, não, espera, afinal só marcou um bom golo…!) voltou ao nível com que nos habituou. Para o seu lugar, avançou o Filipe Augusto e a equipa ficou mais sólida no meio-campo. Entrámos novamente bem e fomos altamente eficazes ao marcar na única vez em que um remate nosso chegou à baliza: canto do Pizzi aos 48’, cabeçada do Luisão que o guarda-redes Burki provavelmente defendia, se o Mitroglou não tem desviado a bola e atirado posteriormente para a baliza. Golo à ponta-de-lança! A partir daqui, o Borussia voltou a vir para cima de nós e valeu-nos São Ederson que fez uma exibição a lembrar a do Preud’homme frente à Fiorentina em 1996/97: defesas perante o Dembélé, Reus, Piszczek e a um remate do Pulisic que foi desviado pelo Jiménez! Com se isto não bastasse, pelo meio ainda defendeu um penalty do Aubameyang aos 58’, a punir um carrinho do Fejsa com o braço demasiado levantado. O mesmo Aubameyang que, completamente isolado, já tinha atirado novamente por cima antes disso. Quanto a nós, defendíamos com muita garra, para além da do Filipe Augusto a entrada do Cervi também contribuiu para isso, mas por umas quantas vezes não conseguimos meter o passe que poderia criar uma situação de desequilíbrio a nosso favor.

O destaque óbvio do jogo, por tudo o que já referi, é o Ederson, que ontem terá selado definitivamente a sua saída no final da época. Depois do que se viu, será impossível que algum tubarão não o venha buscar. Outro em grande evidência foi o capitão Luisão, que fica com muito para contar no seu 500º(!) jogo pelo Benfica. É o Maior! O Lindelof foi igualmente muito importante para manter a nossa baliza a zeros. O Salvio foi o melhor na 1ª parte, mas esteve mais discreto na 2ª, quiçá a ressentir-se fisicamente do esforço. O Pizzi passou bastante ao lado do jogo e também já vi o Fejsa fazer melhor. Não é fácil conter o ataque dos alemães, é certo, mas ambos pareceram um pouco perdidos especialmente na 1ª parte. O Mitroglou marcou um golo importante e merece naturalmente uma palavra por isso. Quanto ao Carrillo, já disse o que tinha a dizer e o Rafa também quase não se viu. A diferença para o Cervi foi brutal, aliás, não percebo porque é que o argentino é muitas vezes preterido em favor daqueles dois…

Foi uma vitória que nos dá bastante prestígio, iremos sofrer na 2ª mão, mas neste momento estamos em vantagem. A estatística vale o que vale, mas das 13 vezes que fomos para a 2ª mão com uma vantagem de 1-0 só numa fomos eliminados (Anderlecht na pré-eliminatória da Champions em 2004/05). No entanto, o que me interessa mesmo é o campeonato e veremos como a equipa reagirá a este desgaste em Braga.

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Agradável

Vencemos na 6ª feira o Arouca por 3-0 e, com as posteriores vitórias do CRAC em Guimarães (2-0) e da lagartada em Moreira de Cónegos (3-2), manteve-se tudo igual na frente, com um ponto de vantagem sobre os assumidamente corruptos e dez sobre os outros. Foi uma partida bem conseguida da nossa parte, em que estávamos a fazer uma boa exibição até aos 41’ quando o Ederson foi expulso e depois fomos inteligentes na maneira como soubemos aguentar (e até aumentar) a vantagem.

O Rui Vitória surpreendeu ao apostar no Carrillo no lugar do lesionado Salvio, mas foi o Zivkovic a estar em destaque logo desde o início ao conduzir boa parte dos nossos ataques. O Arouca tentava responder na medida do possível, mas fomos nós a criar as maiores situações de perigo com destaque para um remate do Luisão em boa posição num canto para uma defesa do Bolat. Depois de termos visto um golo anulado ao Mitroglou por fora-de-jogo do Jonas que teve intervenção no lance, aos 25’, inaugurámos o marcador com um centro milimétrico do Jonas para a cabeça do mesmo Mitroglou. Pouco depois, nova assistência do Jonas para um remate de primeira do nº 11 que o guarda-redes blocou, mas dez minutos depois do primeiro o grego bisou com um remate também de primeira já dentro da área, na sequência de uma insistência do Eliseu na esquerda, que posteriormente fez a assistência. Aos 41’, o Sr. Manuel Mota demorou uma eternidade, mas acabou por expulsar o Ederson por indicação do fiscal-de-linha. O nosso guarda-redes saiu um pouco extemporaneamente da área para tentar cortar um ataque contrário, quando ainda havia dois defesas nossos na jogada, e de facto atinge o jogador adversário. Saiu o Mitroglou para entrar o Júlio César, mas logo na altura me pareceu que seria melhor ter saído o Jonas, dado o desgaste que se antevia com menos um.

Um jogo que deveria já estar decidido ficou assim em dúvida para a 2ª parte. No entanto, logo aos 49’ demos uma machadada fortíssima no Arouca ao fazer o 3-0 pelo Carrillo: grande jogada do Nélson Semedo desde a nossa defesa, tabela com o Mitroglou Jonas, bola para o Pizzi e assistência num timing perfeito para o Carrillo picar por cima do guarda-redes. Um golão! O Arouca, apesar de ter continuado a tentar, sentiu o nosso terceiro golo e só teve uma verdadeira oportunidade à passagem da hora de jogo, com um cabeceamento desviado inadvertidamente pelo Nélson Semedo que proporcionou ao Júlio César uma grande defesa por instinto. Nós lá substituímos o Jonas pelo regressado Jiménez e o Filipe Augusto voltou a render o Pizzi. Até final, o Luisão teve uma boa chance num livre, mas rematou por cima. Teria sido uma óptima maneira de comemorar o seu 499º(!) jogo pelo Glorioso.

Em termos individuais, o Mitroglou com dois golos merece obviamente uma menção, mas quem me continua a encher as medidas é o Zivkovic, que vai fazer muita falta frente ao Borussia Dortmund por conta da expulsão que teve ainda no Partizan. O Carrillo marcou um grande golo, melhorou um bocadinho o seu nível exibicional, mas ainda está muito longe de me convencer. Ao invés, os laterais (Nélson Semedo e Eliseu) estiveram bastante bem e muito participativos no ataque. Espero que a excelente defesa que fez contribua para que o Júlio César readquira confiança, porque vem aí uma deslocação muito difícil a Braga.

Amanhã teremos a Champions na Luz, mas o jogo mais importante será o do próximo domingo na Pedreira. Não nos podemos distrair, porque deixámos de ter margem de manobra e a entrada do Soares no CRAC continua a fazer mossa: continuam sem jogar nada, mas agora a bola entra...

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Normalidade

Vencemos o Nacional por 3-0 e continuamos com um ponto de vantagem para o CRAC que venceu a lagartada por 2-1 (não é que fossem necessárias mais provas, mas mais uma vez se demonstra que a lagartada não serve mesmo para coisa nenhuma). Perante um dos adversários mais fracos que passaram esta época pela Luz, o nosso triunfo foi justo e nem foi preciso jogarmos um grande futebol.

Já se sabe que, nestas partidas até entrar o primeiro golo, as coisas nunca são fáceis. Felizmente conseguimo-lo ainda na 1ª parte, o que ajudou a superar os traumas que vinham de duas derrotas consecutivas. Que os houve e foram visíveis. O Pizzi conseguiu recuperar de Setúbal (nem sei bem como...), mas notou-se que não estava no pleno da sua forma. Começámos a partida imprimindo velocidade e as ocasiões foram surgindo, com o Jonas em destaque por lhe terem pertencido grandes parte delas, mas os remates ou saiam fracos ou por cima. Até que aos 26’, finalmente, o nosso 10 conseguiu atinar com a baliza e fazer o 1-0 de cabeça depois de um centro teleguiado do Zivkovic. E foi o mesmo Jonas, depois de ter levado um amarelo escusadíssimo por ter atirado a bola contra o chão (num jogador com a experiência dele, não se percebe uma reacção daquelas com o resultado já a nosso favor), a aumentar a vantagem para 2-0 com um excelente remate rasteiro em arco de pé esquerdo de fora da área. Até ao intervalo, poderíamos ter resolvido definitivamente o jogo, mas o cabeceamento do Mitroglou, depois de nova assistência do Zivkovic, saiu ao lado.

Para a 2ª parte, a tendência da partida manteve-se: o Nacional não conseguia chegar à nossa baliza e nós íamos controlando a partida, mas já sem grande velocidade. Os madeirenses deveriam ter ficado com 10 à passagem da hora de jogo, porque o Rui Correia atingiu por trás o Salvio sem hipóteses de jogar a bola, mas o sr. Luís Godinho incompreensivelmente só mostrou o amarelo. Dado que não estamos a atravessar uma fase positiva, era importante marcamos o terceiro para dissiparmos quaisquer dúvidas e o Mitroglou teve uma cabeçada à figura do Adriano, quando estava em boa posição. Entretanto, começaram a surgir as substituições (estreou-se o Filipe Augusto) e foi o recém-entrado Rafa a assistir o mesmo Mitroglou aos 81’, permitindo-lhe finalmente marcar o seu golito.

Em termos individuais, o destaque tem que ser dado ao Jonas pelo primeiro bis da época. Nota-se que ele não está ainda na sua melhor forma, o que o deixa frustrado e nervoso (o estúpido amarelo pode ser reflexo disso), mas façamos votos para que estes golos o ajudem a atingi-la. Outro dos melhores em campo foi indiscutivelmente o Zivkovic, que está cada vez mais preponderante na equipa, não só com as suas assistências, mas também pelo que ajuda em termos defensivos. Quanto ao Salvio, que tem alguns (inacreditáveis para mim) anticorpos entre os benfiquistas, claro que (ainda... espero) não é o jogador que nos habituou, mas tem o mérito de nunca desistir. E, de vez em quando, as coisas saem-lhe bem (subiu bastante de produção na 2ª parte). A defesa esteve segura, mas o Nacional nunca a colocou verdadeiramente à prova. Ter-se-á de rever num futuro próximo, mas não desgostei do Filipe Augusto: pareceu-me inteligente na abordagem dos lances, a perceber para onde é que a bola ia e com boa capacidade de passe.

Teremos novo jogo em casa na próxima sexta-feira, perante o Arouca, e não se espera menos do que uma nova vitória. Desperdiçámos de maneira inglória uma vantagem muito confortável que teremos de reaver em parte sob pena de ainda fazermos a lagartada ganhar a época. Aposto que esqueceriam tudo de mau que têm feito, se pudessem roubar-nos o campeonato e oferecê-lo ao CRAC quando tivermos que ir ao WC perto do final de Abril. Mas ainda há muitos jogos até lá e não podemos de todo voltar a facilitar.

terça-feira, janeiro 31, 2017

Zero

Perdemos em Setúbal por 0-1 e ficámos só com um ponto de vantagem para o CRAC no 2º lugar. Parece quase impossível que ainda há três semanas tenhamos tido uma dupla vitória em Guimarães, que alargou a nossa diferença para seis pontos, com a perspectiva de ter quatro jogos em casa nos seguintes cinco e assim poder aumentá-la, e apenas três partidas depois estejamos agora nesta situação. Atravessamos indiscutivelmente a pior fase da época e o futuro não está nada risonho.

Claro que tudo poderia ter sido diferente se os remates do Mitroglou e do Cervi não tivessem passado a rasar o poste nos primeiros cinco minutos. O V. Setúbal demonstrava muito mais garra do que nós na disputa da bola e marcou o golo na primeira vez que foi à nossa baliza: escorregadela comprometedora do Lindelof e, na sequência da jogada, há um centro para a área, o Luisão ficou nas covas e o Zé Manuel (emprestado pelo CRAC) cabeceou sem hipóteses para o Ederson. Estávamos no 21’, mas tive logo a sensação de que, se não marcássemos até ao intervalo, as coisas ficariam muito feias. Tivemos um remate perigoso do Pizzi por cima e um cabeceamento em balão do Luisão que um defesa tirou sobre a linha, mas na maior parte do tempo não conseguíamos imprimir velocidade no ataque, o que, com o V. Setúbal bem posicionado defensivamente, tornava tudo muito complicado.

Para a 2ª parte, entrou o Rafa em vez do apagado Cervi, mas à semelhança do encontro frente ao Moreirense entrámos completa e incompreensivelmente a dormir! Continuávamos com duas velocidades, lentos e parados, e nem chegávamos à área contrária. Só a partir dos 60’ começámos a ter oportunidades, mas sobram dedos de uma só mão para as contabilizar. Um desvio do Mitroglou por cima, quando só tinha o Bruno Varela pela frente, e outro remate de primeira também do grego à figura já nos descontos foram as duas melhores chances que tivemos. Muito, muito, muito pouco para quem tinha obrigação de ganhar.

Em termos individuais, é praticamente impossível destacar alguém. Talvez o Zivkovic tenha sido o menos mau. O Fejsa reentrou na equipa depois da lesão, mas errou uma série de passes, os centrais foram batidos infantilmente no golo, o André Almeida fez das piores exibições dos últimos tempos, mas o nosso grande problema é o estoiro físico do Pizzi e do Jonas. O 21 tem sido a nossa grande figura até agora, mas ontem esteve péssimo e foi patética a maneira como jogou praticamente ao pé coxinho durante grande parte da 2ª parte, quando ainda só tínhamos feito uma substituição! Incompreensível! Ainda para mais, estando lesionado, também não se compreende como não aproveitou para limpar os amarelos, já que é muito duvidoso que jogue para a semana. Quanto ao Jonas, está longe de estar na sua melhor forma física, o que não é de espantar dado que perdeu grande parte da época.

Eu percebo que 30M€ sejam muito difíceis de recusar, mas veremos se esta saída a meio da época de quem nos fez esquecer do melhor jogador dos últimos dois anos durante a 1ª volta não nos irá custar o 36... É que não estou a ver ninguém no plantel com a capacidade rompedora do Gonçalo Guedes, a aguentar fisicamente com os adversários e com alguma capacidade de remate de fora da área. Outra questão muito preocupante é a posição 8: o Pizzi não vai dar para a época toda, o André Horta passa muito tempo lesionado e não há mais ninguém! Vejo nuvens muito negras no nosso horizonte..

P.S. – Independentemente da nossa miserável exibição, não pode ser deixado passar em claro um penalty do tamanho do mundo no último minuto de compensação sobre o Carrillo: entra na área, puxa a bola para trás sobre a linha de fundo e é passado a ferro por um adversário! O Sr. João Pinheiro apitou... para o final do jogo! QUE ROUBO! E já nem falo do amarelo ao Nuno Pinto, que deveria ter sido vermelho, logo aos 57’ por entrada duríssima sobre o Luisão... Aquela célere reunião do Conselho de Arbitragem com os clubes, a pedido do CRAC e da lagartada, já começa a fazer os seus efeitos. Desde aí, já tivemos um 3º golo do Boavista irregular e agora este penalty mais que evidente não assinalado. A coisa promete...!

quinta-feira, janeiro 26, 2017

INCONCEBÍVEL!

Perdemos com o Moreirense (1-3) na final four da Taça da Liga e fomos eliminados. Vou voltar a repetir: perdemos com o Moreirense (o M-o-r-e-i-r-e-n-s-e!) por 1-3 e não vamos à final da Taça da Liga. Ou seja, perdemos a oportunidade de fazer história ao nível do futebol português e ganhar na mesma época todos os troféus nacionais em disputa. Porque, lá está, perdemos com o Moreirense!

Ainda para mais, não poderíamos ter desejado melhor começo de jogo e marcámos logo aos 6’ pelo Salvio, num golão depois de um óptimo centro do Eliseu. No entanto, a partir daqui, os jogadores do Benfica acharam que tinham o jogo ganho e a desaceleração foi evidente. O Moreirense praticamente não criou perigo na 1ª parte, o que ajudou a sedimentar essa impressão de que a vitória estava garantida. Mesmo assim, ainda tivemos algumas oportunidades para aumentar a vantagem, mas o Jonas e o Salvio permitiram duas boas defesas ao Makaridze, e o André Almeida não conseguiu chegar à bola e desviar para a baliza um cabeceamento do Lisandro num canto.

Na 2ª parte, as camisolas do Benfica entraram em campo e jogaram sozinhas até aos 75’. Claro está que assim sendo foi fácil ao Moreirense marcar três golos! (Repito: sofremos T-R-Ê-S golos do Moreirense!) Logo aos 46’, pelo recém-entrado Dramé, aos 54’, pelo Boateng (na sequência de um livre, em que há um puxão nítido ao Eliseu que o impede de disputar a bola), e aos 71’, novamente pelo Boateng, depois de uma incrível perda de bola a meio-campo do Jardel. Aos 75’, os jogadores do Benfica lá se decidiram entrar em campo e o Jonas ainda atirou duas bolas aos ferros, o Salvio teve um cabeceamento a rasar o poste e o Makaridze fez um par de boas defesas. Tivéssemos jogado sempre como nesses últimos 15’ e outro resultado haveria…

É quase um sacrilégio fazer destaques individuais depois de uma exibição destas, mas o Salvio foi dos melhores enquanto teve pernas, o Eliseu não pareceu estar há dois meses sem jogar e o Zivkovic deveria ter entrado mais cedo. Quanto aos outros, foi quase tudo de fugir, mas mesmo assim nenhum bate o Carrillo…!

O que mais me preocupa nesta debacle é que já não é a primeira vez (nem a segunda) que acontece: já em Istambul, tivemos três golos de vantagem e desligámos o cérebro e esse mesmo desligar aconteceu há bem pouco tempo na primeira meia-hora contra o Boavista. Como é possível uma equipa como a nossa desconcentrar-se desta maneira e andar completamente à nora durante 30’ num jogo em que entrámos a ganhar logo aos 6’?! Sinceramente, não se compreende! Jamais me conformarei com a perda desta oportunidade de ouro para ganhar tudo, ainda por cima quando nas taças já não estavam nenhum dos outros dois. Veremos a repercussão que isto terá para o futuro, mas as últimas exibições (e a catrefada de golos sofridos!) não me deixam nada confiante para os próximos tempos.

segunda-feira, janeiro 23, 2017

Goleada enganadora

Vencemos o Tondela por 4-0 no primeiro jogo da 2ª volta e mantivemos os 4 pontos de vantagem sobre o CRAC (4-2 em casa ao Rio Ave), tendo aumentado para 10 em relação à lagartada, que empatou na Madeira com o Marítimo (2-2). Quem olhar para o resultado sem ter visto o jogo pode pensar que foi uma vitória fácil e tranquila do tricampeão. Puro engano: basta referir que desde a 2ª jornada, contra o V. Setúbal em Agosto, que não ficávamos a zeros ao intervalo em jogos para as provas nacionais.

O Rui Vitória deu a titularidade ao Zivkovic em detrimento do Salvio e foi essa a única alteração em relação ao onze base dos últimos jogos. O Tondela, apesar de estar em último lugar, fez um jogo defensivamente muito bem conseguido (em alguns períodos com o inevitável antijogo, mas já se sabe…) e nós tivemos tremendas dificuldades para criar perigo no primeiro tempo. Um remate do Jonas que proporcionou ao Cláudio Ramos uma boa defesa e uma cabeçada do Mitroglou a centro do mesmo Jonas foram as duas ocasiões que tivemos para marcar. Quanto à defesa, não tivemos dificuldades de maior, excepto num lance em que o Tondela ainda marcou, mas em claro fora-de-jogo.

Para a 2ª parte, saiu o apagado Cervi (desta feita, a substituição do argentino foi justa) e entrou o Salvio. Mas, mais importante do que isso, é que entrámos com outro espírito e começámos a pressionar o Tondela como nunca o tínhamos feito até então. A atacar para a baliza grande, o Zivkovic ia marcando logo de entrada, num remate de ressaca, não fosse o guarda-redes fazer a defesa do jogo. Aos 59’, começámos finalmente a desatar o nó, com o Pizzi a inaugurar o marcador num remate cruzado de pé esquerdo, já dentro da área, depois de uma assistência do Samaris. A partir daqui, milagrosamente, os visitantes deixaram de estar lesionados e o jogo foi muito mais fluido. O Tondela ia tentando responder, deixando de ter tantas preocupações defensivas, ao que nós respondemos com velocidade na tentativa de fechar a partida. O Mitroglou teve um problema físico (esperemos que passageiro…) e teve que ser substituído pelo Rafa aos 70’. Pouco depois, aconteceu o único lance em que o Tondela criou perigo, num remate de fora da área do Francisco Ferreira defendido pelo Ederson a dois tempos. De seguida, o Salvio não conseguiu dominar bem a bola, quando estava isolado, permitindo a intercepção do Cláudio Ramos, mas aos 76’ o desfecho do jogo ficou decidido com o 2-0: grande abertura do Samaris para o Nélson Semedo na direita fazer um centro atrasado para o Pizzi bisar. Grande jogada! Já nos últimos dez minutos, o Rafa assistiu o Salvio para um remate cruzado que rasou o poste e aos 84’ foi o mesmo Rafa a estrear-se FINALMENTE a marcar pelo Glorioso: grande passe do Jonas e o internacional português a fazer o 3-0 num chapéu magistral ao guarda-redes. A equipa caiu em cima dele nos festejos! Para terminar em beleza, fizemos o 4-0 já nos descontos num penalty do Jonas a punir um puxão ao André Almeida.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pizzi pelos seus dois golos, para o Samaris pelas jogadas nesses mesmos golos, e para o Zivkovic que foi dos que mais procurou criar desequilíbrios. A defesa praticamente não teve trabalho e o Ederson foi pouco mais que um espectador.

Como disse o Rui Vitória no final, e bem, esta partida demonstrou que isto vai ser muito difícil até final. Nada está garantido e mesmo equipas nos últimos lugares da tabela podem tornar-se bastante complicadas. Uma das coisas que mais gosto na nossa equipa é que raramente perdemos a cabeça em campo e começamos a jogar à maluca se as coisas não estiverem a correr bem. A mudança da 1ª para a 2ª parte é bem exemplo disso: bastou imprimir mais velocidade para as coisas melhorarem. Sabemos perfeitamente o que temos de fazer em cada momento do jogo e isso é sinal de muita maturidade competitiva. Para o próximo fim-de-semana, temos a final four da Taça da Liga e esperamos sair de lá com o segundo troféu da temporada.

P.S. – O Gonçalo Guedes ficou de fora dos convocados, indiciando uma venda iminente. Fala-se em 30 milhões de euros, uma quantia irrecusável, principalmente em jogadores que não são titulares absolutos. No entanto, não sou nada fã destas transferências a meio da época e, esperando estar enganado, acho que vai fazer falta.

quinta-feira, janeiro 19, 2017

Goleada

Estamos nas meias-finais da Taça de Portugal ao derrotar o Leixões por 6-2. Perante um adversário que está nos últimos lugares da II Liga, mal feito fora que nos deixássemos eliminar ainda por cima em casa, mas de qualquer maneira já se sabe que nenhum jogo está ganho antes de ser jogado.

Consciente da fase da competição em que estamos, o Rui Vitória acabou (e bem) por não mexer muito na equipa: só mudou o guarda-redes (Júlio César), os centrais (Lisandro e Jardel) e os extremos (Carrillo e Zivkovic). Encarámos a partida de uma maneira séria e logo desde o início que procurámos o golo. Um remate do Zivkovic ia provocando um grande frango e acabámos por inaugurar o marcador aos 21’ através de um remate de pé esquerdo do Pizzi, depois de um alívio da defesa a um centro do Nélson Semedo da direita. Pouco depois, o mesmo Pizzi falhou incrivelmente o segundo golo ao atirar por cima em excelente posição depois de uma boa jogada do Carrillo (ena, ena, alvíssaras, alvíssaras!) na esquerda. O segundo golo acabou por surgir aos 31’ num centro em arco do André Almeida que o Mitroglou não chega a desviar. Foi o primeiro golo oficial do nosso Veloso dos tempos modernos, razão pela qual houve grande festa no campo e no banco. Aos 38’, aumentámos a vantagem através do Jonas num desvio precioso, depois da intercepção de um defesa a um remate do Mitroglou (tinha obrigação de ter marcado, já que o guarda-redes estava fora do lance). Quando se pensava que iria ser um jogo mais que tranquilo, o Leixões reduziu a desvantagem mesmo antes do intervalo (44’) numa boa jogada atacante concretizada pelo Porcellis.

Para a 2ª parte, o Rui Vitória deu descanso ao Pizzi, fazendo entrar o André Horta. Logo de entrada, o Mitroglou atirou de cabeça à barra e, poucos minutos volvidos, o grego proporcionou uma boa defesa ao guarda-redes Assis numa óptima assistência do Jonas. Mas, aos 60’, o Mitroglou marcou mesmo de penalty depois de um agarrão ao Zivkovic na área. Palavra muito elogiosa para o Jonas que deu a bola ao seu companheiro para ser ele a marcar o castigo máximo. Para além de grande jogador, é um grande homem! O Leixões nunca deixou de lutar e foi recompensado com o segundo golo aos 67’, novamente pelo Porcellis, depois de uma triangulação atacante. No entanto, nós nem os deixámos respirar com isso, porque aumentámos de novo o marcador aos 70’, outra vez pelo Mitroglou, depois de uma jogada fantástica do Zivkovic na direita, com a bola ainda a ser desviada por um defesa para assistir inadvertidamente o grego. Já em tempo de compensação, fizemos o 6-2 final numa assistência do Carrilo na esquerda para o Mitroglou concretizar o hat-trick.

Quem marca três golos num só jogo, merece indiscutivelmente destaque e, neste sentido, o Mitroglou foi mesmo o melhor em campo. Todavia, muito perto ficou o Zivkovic, que baralhou completamente os adversários e está a tornar-se um caso sério na equipa. O André Almeida esteve igualmente num plano elevado, reforçado pelo golo que marcou. O André Horta entrou melhor do que em Guimarães para o campeonato, o que é bom, porque o Pizzi precisa de algum descanso.

Iremos agora defrontar o Estoril em duas mãos nas meias-finais, mas, com a eliminação da lagartada em Chaves (0-1), somos os claros favoritos à conquista do troféu. No entanto, já se sabe que é sempre preciso levar tudo muito a sério e estarmos concentrados ao máximo, porque se esta época pode ser inédita a nível nacional, ainda temos muitos obstáculos para superar até lá.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Percalço

Empatámos na Luz com o Boavista (3-3) e, como o CRAC ganhou ao Moreirense (3-0), vimos a nossa vantagem reduzida para 4 pontos. O que valeu foi que a lagartada não aproveitou o nosso deslize e empatou em Chaves (3-3), mantendo-se a 8 pontos de distância.

Quando aos 25’ o Boavista fez o 0-3, os que têm idade para isso ter-se-ão lembrado desse mesmo resultado em 1999, quando o Souness resolveu estrear britânicos sofríveis acabados de chegar num jogo decisivo. Está longe de ser a mesma coisa, mas quando vi a nossa formação inicial, torci logo o nariz: jogar na Luz, perante um adversário teoricamente inferior, sem nenhum ponta-de-lança de raiz, parece-me SEMPRE um mau princípio. Bem sei que o Gonçalo Guedes foi brilhante e decisivo em Guimarães, mas é diferente jogar fora para a Taça da Liga, numa partida em que nos bastaria o empate, do que em casa para o campeonato. Além disso, a equipa tinha feito uma boa exibição em Guimarães para o campeonato, com o Mitroglou na frente e a participar nos dois golos, pelo que colocar o grego no banco foi manifestamente um erro. Claro que tudo poderia ter sido diferente se o mesmo Gonçalo Guedes, depois de uma jogada fantástica do Rafa, tivesse desfeiteado o Agayev logo aos 12’, mas, mesmo estando isolado e só com ele pela frente, atirou ao lado. Dois minutos depois, o Sr. Luís Ferreira não assinalou uma falta sobre o Rafa à entrada da nossa área, mas sim uma falta do Pizzi logo a seguir. Golo do Boavista num livre do Iuri Medeiros, com a bola ainda a bater na barra antes de entrar. Nós tentámos ripostar, mas foram os axadrezados a aumentar a vantagem aos 20’, numa cabeçada do Lucas depois de um livre do mesmo Iuri Medeiros. Queixámo-nos de um braço do Lucas sobre o André Almeida, mas o jogador do Boavista é bastante mais alto do que o nosso. Eu também não marcaria falta. Completamente diferente é o lance que deu o 0-3 aos 25’: o Schembri estica a perna para tentar tocar na bola em claro fora-de-jogo, esta vai para o Iuri Medeiros que estava isolado e assiste para o mesmo Schembri só ter que encostar. O avançado do Boavista faz-se ao lance, pelo que obviamente é mais do que fora-de-jogo! O choradinho dos outros a fazer o seu feito...! O Rui Vitória lá corrigiu a mão e colocou o Mitroglou no lugar do Rafa aos 37’ e foi o grego a reduzir a desvantagem aos 41’ com uma assistência do Salvio, depois de a bola lhe ter sobrado defendida pelo Agayev a um remate do Pizzi. Acabámos a 1ª parte completamente em cima do Boavista e o André Almeida tem um lance imperdoável ao não assistir o isolado Mitroglou no meio, quando só tinha o guarda-redes pela frente depois de a defesa contrária ter ficado a dormir! Resolveu rematar e o Agayev defendeu para canto. Foi algo que nos custou muito caro no final!

Tínhamos uma tarefa hercúlea para a 2ª parte, em que o Rui Vitória sacrificou o Luisão logo no reinício para colocar o Cervi e jogarmos só com três defesas. É tão fácil fazer o mais óbvio na constituição da equipa... Foi precisamente sobre o Cervi que foi feito o derrube que deu um penalty aos 52’ convertido pelo Jonas (das poucas coisas que o genial brasileiro fez de bem no jogo). A Luz acreditava na reviravolta total e a equipa também. O Guedes não estava nas melhores condições físicas e entrou o Zivkovic aos 66’. E foi do sérvio, no minuto seguinte, o centro para a igualdade num autogolo de cabeça do Fábio Espinho. A partir daqui, não houve ninguém que não acreditasse que conseguiríamos uma recuperação épica, até pelo tempo que ainda faltava até final, mas a equipa começou a ressentir-se fisicamente e, sem mais substituições para fazer, deixámos de criar tanto perigo: só tivemos um lance em que o Mitroglou rematou de primeira ao lado, quando eventualmente poderia ter tentado dominar a bola. Ao invés, podemos agradecer é ao Ederson o empate, porque teve duas magníficas intervenções perante adversários que só o tinham pela frente.

Em termos individuais, merecem destaque o Ederson, por ter mantido o empate na parte final, o Samaris, grande espírito de sacrifício com as inúmeras alterações tácticas durante a partida, e o Cervi, que foi decisivo quanto entrou na 2ª parte (não percebo porque é que ele é dos primeiros a ser sacrificados quando há mudanças na equipa. Para mim, é titular mais que absoluto). O resto da equipa teve grande coração, mas as exibições estiveram longe de ser perfeitas.

Poderia ter sido muito pior, mas falhámos no objectivo de ter os três pontos. Depois de uma brilhante vitória em Guimarães, escorregámos quando nada o faria prever. Pode ser que isto alerte os nossos jogadores de que nada é fácil nem garantido, e que devem sempre manter a concentração em alta em todos os jogos. Reduzimos margem de manobra e que este seja um jogo a não repetir no futuro.

quarta-feira, janeiro 11, 2017

Gonçalo Guedes

Três dias depois, voltámos a vencer em Guimarães pelo mesmo resultado (2-0) e pela nona vez em 10 edições qualificámo-nos para as meias-finais da Taça da Liga. Numa partida em que fizemos oito alterações em relação à equipa que ali venceu para o campeonato, o que se pode dizer é que o plantel passou no teste com louvor e distinção.

Ainda antes do primeiro minuto, o V. Guimarães teve a melhor oportunidade de golo no jogo todo, com o Soares a chegar atrasado de cabeça a um desvio ao primeiro poste num canto. A partir daqui, a 1ª parte foi toda nossa e ficámo-nos a dever uma goleada das antigas. Aos 10’, o Rafa meteu a quinta e foi agarrado e puxado dentro da área. Penalty indiscutível que o Pizzi permitiu que o guarda-redes, Miguel Silva, defendesse. Tempos houve em que tal lance nos desconcentraria e mudaria o curso do jogo, mas felizmente não os actuais. Continuámos a tentar marcar, certos de que, como o empate nos bastava, qualquer golo iria tornar as coisas muito difíceis para o V. Guimarães. O Zivkovic isolou o Rafa, mas este continua na sua senda de falhar quando só tem o guarda-redes pela frente. Todavia, aos 34’ marcámos mesmo, numa óptima combinação entre o Pizzi e o Nélson Semedo, com este a centrar atrasado para o Gonçalo Guedes rematar rasteiro e cruzado para dentro da baliza. Pouco depois, novo capítulo da infindável série “Falhanços isolados do Rafa”: outro magnífico passe do Zivkovic a colocar o internacional português só com o Miguel Silva pela frente e mais uma defesa deste a impedir o golo. Até que aos 40’, marcámos finalmente o segundo, numa jogada toda do Gonçalo Guedes, que abriu na direita no Carrillo, que lhe devolveu a bola, e o nº 20 marcou um golo exactamente igual ao anterior (rasteiro e cruzado). Logo a seguir ao golo, o Nélson Semedo, que deveria estar a ser elogiado pelos adeptos vitorianos na bancada, fez o sinal de blá, blá, blá e eles ficaram muito ofendidos, começando a lançar cadeiras para o campo. Atitude escusada do nosso jogador, que lhe valeu um amarelo. Já se sabe que o melhor é sempre não responder a provocações. Até ao intervalo, o Zivkovic poderia ter ampliado a vantagem, noutra boa jogada do Guedes na direita, mas o Miguel Silva voltou a defender.

À semelhança do encontro do campeonato, na 2ª parte limitámo-nos a controlar o jogo, mas, ao contrário de sábado, desta feita o V. Guimarães praticamente não teve oportunidades de golo. Só a 20’ do final é que nós voltamos a chegar com perigo à baliza adversária, mas o remate do Pizzi esbarrou num defesa. O Sr. Carlos Xistra ia enchendo os nosso jogadores de amarelos, principalmente os (poucos) titulares que estavam em campo, mas lá nos conseguimos safar sem nenhuma expulsão até final.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Gonçalo Guedes que sozinho deu cabo da defesa do V. Guimarães. Dois golos e uma exibição para recordar. Toda a dinâmica da equipa na 1ª parte foi excelente, com o Zivkovic a afirmar-se cada vez mais como uma alternativa bastante válida, até pelo que ajuda no processo defensivo. O nosso jogo passa todo pelo Pizzi, mas aquele penalty deveria ter entrado... O Carrillo, com a assistência para o Guedes, fez a segunda coisa de jeito desde que chegou ao Benfica (a outra foi o golo ao Nacional), mas na maior parte do tempo continua a fazer-nos jogar com 10. O Lisandro é muito voluntarioso, mas perde consecutivamente lances aéreos na nossa área, especialmente nas bolas paradas (é contá-las...). Eu disse em tempos que o Di María, quando chegou ao Benfica, tinha o remate mais ridículo da história do futebol (e quem se lembra dos seus primeiros tempos não tem como não concordar), mas o Rafa nem o chega a ter. Já perdi a conta às vezes em que ele apareceu isolado e nunca marcou. De tal maneira, que sinceramente nem me mexo quando o lance é só entre ele e o guarda-redes, porque o desfecho é sempre o mesmo. Não vale a pena estar com expectativas. A sua qualidade está absolutamente fora de causa, tem um pique e uma técnica fantástica, mas precisa DESESPERADA e OBRIGATORIAMENTE de fazer treino de finalização: uma hora no final de cada treino só com o guarda-redes pela frente até conseguir meter a bola na baliza em 75% das vezes. Pode ser? É que isto está a começar a cair no ridículo...!

Iremos agora defrontar o Moreirense na final four para tentar atingir a oitava final em 10 edições desta prova. Nunca nenhuma equipa ganhou todos os troféus nacionais numa mesma temporada. Que tenhamos isto em mente.

domingo, janeiro 08, 2017

Personalidade

Vencemos ontem em Guimarães por 2-0 e, com o magnífico empate do CRAC em Paços de Ferreira (0-0), estamos agora com seis pontos de vantagem para o 2º classificado. Depois da eliminação dos outros dois na Taça da Liga, esta jornada veio confirmar que o ano não poderia ter começado melhor (ao contrário do ano passado, em que tivemos um grande desgosto logo de início).

Olhando friamente para o calendário, este 2017 trar-nos-ia três saídas teoricamente bastante difíceis: Guimarães, Braga e WC. O que, também depois do circo montado esta semana pelos outros dois, à boleia de uma Taça que sempre desdenharam, faria deste jogo um teste importantíssimo à nossa liderança. Qualquer escorregadela da nossa parte, seria um enorme balão de oxigénio para eles. No entanto, o que se pode dizer, é que passámos esta prova difícil com louvor e distinção! Num jogo que se previa uma luta, estranhei a titularidade do Jonas e Salvio, dado o período de ausência de ambos, mas as exibições dos dois provaram que felizmente o Rui Vitória percebe muito mais disto do que eu. O V. Guimarães entrou melhor do que nós, mas uma grande abertura do Pizzi só não chegou ao Salvio por uma unha negra. Aos 17’, tivemos uma enorme contrariedade com a lesão do Fejsa (pareceu muscular, esperemos que não fique muito tempo de fora), tendo entrado o Samaris. Já se sabe que a equipa sem o sérvio não é a mesma coisa, mas demos a melhor resposta possível ao inaugurar o marcador dois minutos depois: o Mitroglou ganha bem a bola a um defesa, abre na direita para o Salvio, que passa por dois e, à saída do guarda-redes, assiste o Jonas que atira lá para dentro. Confesso que ainda gelei o sangue, porque o brasileiro, com a baliza escancarada, levantou um pouco a bola e esta tocou na barra antes de entrar! Seria um dos falhanços do ano, mas felizmente não foi! Estávamos em vantagem, mas o V. Guimarães nunca desistiu e teve uma boa oportunidade num remate de primeira do Hernâni que saiu ao lado. Por sua vez, o Mitroglou num remate acrobático e numa cabeçada também esteve perto do golo. No entanto, aos 42’, aumentámos mesmo a vantagem através do grego depois de uma assistência do Jonas, com o Mitroglou a rematar rasteiro, mas muito colocado. O V. Guimarães queixou-se por causa de um jogador deles que estava no chão (falta do Lindelof que até viu o amarelo depois), mas o árbitro deu a lei da vantagem, eles tinham continuado a jogar e não atiraram a bola para bola. Depois perderam-na e, no desenrolar do lance, foi golo. Tudo legal.

Na 2ª parte, voltámos a não entrar nada bem e praticamente nem vimos a bola até aos 65’. O V. Guimarães teve duas grandes oportunidades, mas o Hurtado rematou por cima em excelente posição já na grande-área e o Ederson fez uma grande defesa a um remate do Hernâni da quina da área. Quanto a nós, tivemos chances pelo Mitroglou e pelo Pizzi, com o Douglas a fazer bem a mancha em ambas as ocasiões. A última oportunidade foi mesmo nossa, com o Salvio a permitir nova defesa ao guarda-redes contrário quando estava isolado perante ele.

Em temos individuais, destaque para o regresso da dupla goleadora Jonas-Mitroglou, presente em ambos os golos. Nota-se que o brasileiro ainda não está na sua plena forma (nem podia), mas já produzir isto a meio-gás deixa-nos com água na boca para o que virá. Tirando a parte dos golos, o melhor para mim foi o Cervi. Que jogão! Capacidade de luta inesgotável, enorme generosidade defensiva e um ou outro pormenor de craque no ataque. Com seis meses de Benfica, está a anos-luz do Di María e do Gaitán no mesmo período de tempo. Se continuar a evoluir assim… ui, ui! Grandes exibições igualmente de toda a defesa, com o Luisão em destaque e menções honrosas também para o Salvio e Pizzi, cujas combinações atacantes, quando saem bem, dão beleza geométrica ao nosso futebol.

Três pontos fundamentais, mas concentração ao máximo, porque na próxima terça-feira regressaremos à Cidade Berço para o jogo decisivo da Taça da Liga. Temos uma possibilidade inédita de ganhar todos os troféus nacionais na mesma época (algo nunca conseguido por ninguém) e, para chegarmos à final four, basta não perdermos esse jogo.

quarta-feira, janeiro 04, 2017

Goleada

Vencemos o Vizela na Luz por 4-0 e estamos na frente do nosso grupo na Taça da Liga com seis pontos. No entanto e mais uma vez, o V. Guimarães marcou aos 92’, tendo desta feita igualado a partida em casa frente ao Paços de Ferreira (2-2), o que nos impediu de praticamente fechar a qualificação dado que o primeiro critério de desempate é a diferença de golos e os vimaranenses ter-nos–iam de ganhar por 5-0, caso tivessem perdido ontem. Com aquele empate tardio, basta ganharem-nos.

O Rui Vitória fez bastantes alterações e lançou o Lisandro e Yuri Ribeiro na defesa, Samaris, Carrillo e Zivkovic no meio-campo, e Jonas e Mitroglou na frente. Entrámos bem na partida e o Jonas teve logo dois lances em que poderia ter voltado aos golos, mas ambos os remates saíram para fora. Quase a chegar ao quarto-de-hora, o Sr. Manuel de Oliveira transformou um penalty sobre o Zivkovic numa falta quase a pisar o risco. Nós íamos tentando e aos 28’ chegamos finalmente à vantagem: centro do Zivkovic depois de um canto e a bola foi direitinha para a cabeça do Mitroglou que não perdoou. Até ao intervalo, uma cabeçada do Jardel também na sequência de um canto foi à figura do guarda-redes. O Vizela mal passava de meio-campo, mas chegávamos ao intervalo com o jogo ainda não decidido, sabendo nós que um eventual empate a um nos colocaria na posição de ter que ir ganhar a Guimarães por causa dos golos marcados.

Felizmente, a 2ª parte começou logo por aclarar o vencedor ao marcarmos o segundo golo logo aos 48’: canto do Zivkovic para o desvio de cabeça do Lisandro ao primeiro poste. Nove minutos depois, as (poucas) dúvidas desapareceram de vez com o 3-0 pelo jogador que todos nós queríamos ver regressar aos golos: o grande Jonas! Livre directo perto da área e um golaço do brasileiro. Aos 60’, o mesmo Jonas bisou noutra cabeçada a novo centro do Zivkovic: terceira assistência do sérvio para o terceiro golo de cabeça do Benfica. O Rui Vitória começou a rodar a equipa e lançou o André Horta, Jovic e Rafa para os lugares do Pizzi, Mitroglou e Jonas. Até final, ainda vimos o único remate do Vizela.

Em termos individuais, destaque óbvio para os dois golos do Jonas e as três assistências do Zivkovic. Com o Pizzi a meio-campo, a equipa claro que ganhou um dinamismo que não se viu frente ao Paços de Ferreira, embora se tenha que reconhecer que o Vizela é um adversário mais fraco. Também gostei do Mitroglou, que parece mais mexido. O Yuri Ribeiro, à semelhança do jogo da Taça frente ao Real Massamá, não me convence, mas mais uma vez tenho de bater no ceguinho: continuo sem perceber o que é que o Carrillo continua a fazer no plantel e porque é que não aproveitou as férias natalícias para ficar no Peru.

Teremos agora a jornada dupla em Guimarães com três dias de intervalo. Ambos os jogos são muito importantes, o do campeonato, obviamente, mais, mas temos o prestígio e o título na Taça da Liga para defender. O Moreirense está à nossa espera na final four.

P.S. – Não queria, naturalmente, deixar passar a oportunidade de colocar aqui novamente um quadro que documenta o brilhante percurso do CRAC na Taça da Liga. Segundo ano consecutivo em que falha o pódio por uma unha negra...!


domingo, janeiro 01, 2017

Ano Novo

Que 2017 nos traga o tetra e que todos nós o possamos ver! Tudo o resto é secundário. Um ano Glorioso para todos!

sábado, dezembro 31, 2016

Enfadonho

Vencemos na passada 5ª feira o Paços de Ferreira por 1-0 na fase de grupos da Taça da Liga, mas, como no dia seguinte o V. Guimarães foi marcar o 2-1 em Vizela aos 92’(!), estamos em igualdade pontual com eles, mas atrás na diferença de golos.

Basta só lembrarmo-nos deste primeiro jogo a seguir à pausa natalícia nas últimas épocas para vermos que é sempre a mesma coisa: fazemos indiscutivelmente uma das piores exibições do ano. No entanto, nunca deixámos de ganhar! E isso faz toda a diferença. Toda! Em relação à partida com o Rio Ave, o Rui Vitória colocou o Jardel em vez do Lindelof (será que está em trânsito para Manchester?) e o Celis no lugar do castigado Pizzi. Na frente, voltou o Jiménez em vez do Mitroglou e o mexicano foi dos menos maus na 1ª parte. Até entrámos bem no jogo, com remates do Cervi, cabeçada do Luisão e do Celis, este proporcionando ao guarda-redes uma boa defesa do Mário Felgueiras (foi a primeira coisa de jeito que fez com a nossa camisola…). Ainda antes do quarto-de-hora, o Jiménez isolou o Rafa, mas este como de costume, quando tem só o guarda-redes pela frente, não o conseguiu desfeitear. A partida entrou numa fase mais monótona também devido às lesões dos jogadores do Paços (que ficaram milagrosamente curadas depois do nosso golo…). Quando eu já pensava que íamos para o intervalo a zeros, eis que surge o único golo do encontro: excelente abertura do Rafa a isolar o André Almeida na esquerda, o guarda-redes sai ao seu encontro, o Almeida assiste o Gonçalo Guedes, cujo remate é intercepcionado por um defesa quase sobre a linha e sobra para o Cervi, que na recarga fuzila para dentro da baliza. O argentino, logo na sua primeira época na Europa, já marcou em todas as cinco competições!

À semelhança da primeira, também entrámos bem na 2ª parte. O Jardel quase ia conseguindo antecipar-se de cabeça ao guarda-redes, o Gonçalo Guedes proporcionou outra boa defesa ao Mário Felgueiras e o Jiménez teve um bom lance individual que só pecou pelo remate ligeiramente ao lado. Isto tudo novamente nos primeiros 15’. A partir daí, e apesar da entrada do Jonas, a nossa exibição foi perdendo fulgor e ainda tivemos que levar com mais uma lesão muscular, desta feita do Jiménez, que foi substituído pelo Mitroglou. Vamos lá a ver se o mexicano não fica muito tempo no estaleiro. O Paços de Ferreira só criou relativo perigo perto do fim num remate fora da área que o Ederson agarrou muito bem. No entanto, já se sabe que jogos com a vantagem mínima são sempre muito arriscados de gerir e eu só consegui descansar com o apito final.

Em termos individuais, destaque para o Cervi pelo golo e para o Jiménez, especialmente na 1ª parte. Saúda-se igualmente o regresso para uns minutos do André Horta. Todos os outros não saíram muito da mediania.

Era bom que chegássemos a Guimarães na última jornada com dois resultados a nosso favor, mas para isso temos de ganhar ao Vizela (e preferencialmente com uns quantos golos). Não gosto nada de jogos seguidos com o mesmo adversário e vamos à Cidade Berço com três dias de intervalo. Felizmente que o primeiro jogo é para o campeonato, mas eu também gostava muito de manter a tradição e ir longe na Taça da Liga.

domingo, dezembro 25, 2016

Feliz Natal

Os meus sinceros desejos que todos os que têm a pachorra de passar por aqui tenham um Natal Glorioso!

quinta-feira, dezembro 22, 2016

Calmo

Vencemos com relativa tranquilidade o Rio Ave por 2-0 e vamos fechar o ano de 2016 na liderança do campeonato com quatro pontos de vantagem para o CRAC no 2º lugar. Aliás, este ano na Luz foi excepcional em termos nacionais, porque em 18 jogos só perdemos com o CRAC e empatámos contra o V. Setúbal. Ou seja, tivemos 88,9% de vitórias.

Estava com algum receio deste jogo, porque o Rio Ave tinha igualado a melhor série da sua história com quatro vitórias seguidas e nós já estivemos a jogar melhor do que actualmente. Para além disso, era um encontro a meio da semana antes das férias do Natal e a cabeça dos jogadores já poderia estar noutras festas. No entanto, entrámos bem na partida e, depois de um remate em arco à entrada da área do Mitroglou que passou rente ao poste, há um penalty claro sobre o Gonçalo Guedes aos 8’ (atropelamento e fuga) que o Sr. Rui Gomes Costa não assinalou (aliás, esta peça já é bem nossa conhecida desde há muito tempo... Acrescentem-lhe o “Gomes” no meio, sff, não poluam o nome!). Continuávamos a tentar e o Pizzi proporcionou uma boa defesa ao Cássio antes de o Mitroglou abrir a contagem aos 14’: centro do Cervi na direita, o grego tentou o calcanhar, mas um defesa cortou para a entrada da área, onde o Pizzi rematou de pé esquerdo muito enrolado e acabou por involuntariamente colocar o nº 11 só com o guarda-redes pela frente (a defesa ficou a dormir). O Mitroglou só teve de escolher o lado da baliza para onde atirar. Um golo relativamente cedo era óptimo e pensei que tentássemos rapidamente o segundo para nos tranquilizarmos de vez. No entanto, acabámos por deixar adormecer o jogo e só uma tentativa de chapéu do Luisão praticamente desde o meio-campo (seria o golo do século e o jogo poderia acabar logo ali!) e uma grande jogada do Mitroglou, a fintar vários adversários à Messi mas a rematar fraco, abanaram um pouco as coisas. Verdade seja dita que o Rio Ave não conseguiu criar perigo nenhum. Quando pensei que as coisas iriam assim para o intervalo, aos 42’ o Pizzi resolveu inventar o segundo golo: faz uma simulação à entrada da área que tira um adversário do caminho, tabela com o Rafa, isola-se e pica a bola por cima do Cássio. Que golão!

A atacar para a baliza grande na 2ª parte, estava à espera que a equipa se galvanizasse mais, mas o jogo foi ainda mais morno. Nós controlávamos a partida sem dar grandes hipótese ao Rio Ave de criar perigo, todavia também não impúnhamos a velocidade necessária para provocar desequilíbrios. No entanto, há que dizer que houve pelo menos um fora-de-jogo muito mal assinalado ao Mitroglou que ficaria isolado. O lance de maior perigo do segundo tempo foi um remate do Rúben Ribeiro muito bem defendido pelo Ederson para canto. Nem a entrada do Jonas conseguiu agitar as coisas e um dos destaques negativos foi o amarelo por protestos ao Pizzi (inacreditável como se leva uma amarelo por isto, quando se está tapado, num jogo sem cartões!) que o tiraria da difícil partida em Guimarães se não tivesse provocado o segundo e respectiva expulsão já em tempo de desconto.

O destaque do jogo terá de ir para o Pizzi, porque marcou um golo e assistiu (involuntariamente) noutro. Gostei igualmente do Mitroglou e não só pelo golo: pareceu muito mais comprometido com o jogo, mais activo e lutador (o bem que faz uns joguitos no banco...!). O André Almeida também sobressaiu, o  que diz muito sobre a exibição geral da equipa. Uma palavra final para o Ederson, que manteve a nossa baliza a zeros com uma excelente defesa.

Podemos ir comer o bacalhau e o peru tranquilos e recuperar energias para a segunda parte da época, que promete ser muito trabalhosa. Como diz, e bem, o nosso treinador, somos a única equipa portuguesa em todas as competições. Quando voltarmos, haverá dois jogos da Taça da Liga para digerir as festas e eventualmente dar minutos aos menos utilizados, mas atenção que eu quero ir ao Algarve no final de Janeiro...!