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quinta-feira, setembro 21, 2017

Incompreensível

Empatámos em casa com o Braga (1-1) na 1ª jornada da Taça da Liga e estamos há três jogos consecutivos sem vencer. Desde o empate com o V. Setúbal em 2007, na 1ª edição desta competição, que não perdíamos pontos em casa na Taça da Liga. Quase me apetecia remeter-vos para os dois posts anteriores para saberem como foi a nossa exibição com a única diferença de não termos perdido desta vez.

Como seria expectável, o Rui Vitória fez uma série de alterações, das quais se destaca a estreia absoluta do Krovinovic e não se pode dizer que entrámos mal no jogo. Bem pelo contrário. Apresentámos algum dinamismo na manobra atacante, com variações de flanco e chegámos à vantagem aos 11’ num golo de recarga do Jiménez depois de um livre para a área. E, pronto, o nosso futebol acabou aí! À semelhança dos jogos anteriores, depois de marcarmos primeiro, deixamos de jogar à bola. Não se percebe! Aliás, o treinador do Braga disse no final do jogo que o golo do Benfica lhes deu tranquilidade. Connosco acontece exactamente o contrário! O pior que nos pode suceder nestes dias é marcar primeiro e cedo, porque depois fechamos a loja à espera de... sofrermos um golo! O que tem acontecido sempre. Em vez de aproveitarmos a natural subida no terreno do adversário para sermos incisivos no contra-ataque, parece que desaprendemos de ter a bola no pé. Claro que há sempre uma ou outra situação em que poderíamos aumentar a contagem, mas surge sempre uma defesa do guarda-redes ou um falhanço isolado do inefável Rafa... 

A 2ª parte trouxe mais do mesmo, connosco a ter grande dificuldades para encontrar a baliza contrária e a assistir com indescritível impotência à aproximação do adversário à nossa. O Sr. Bruno Esteves anulou um golo ao Gabriel Barbosa, mas deu a sensação na TV que ele estava em linha e aos 68’ chegou a igualdade através do central Ricardo Ferreira a desviar de cabeça um canto, com o Júlio César a ficar a meio da viagem. Até final, o Rui Vitória, curiosamente, não inventou nas substituições (o Eliseu fez o jogo todos e o Zivkovic não acabou a defesa-esquerdo), mas só um remate do Jonas de primeira, depois de um passe de cabeça do Jiménez, ia dando golo se não fosse a intervenção do André Moreira.

Em termos individuais, é difícil destacar alguém, porque nem os titulares, nem o Zivkovic, Jonas e Pizzi que também entraram, jogaram grande coisa. O Gabriel Barbosa jogou sobre a direita e passou muito ao lado do jogo (não era suposto ser ponta-de-lança...?). O Krovinovic, depois de uma 1ª parte muito apagada melhorou bastante na 2ª, mas precisa de mais atitude defensiva para jogar a 8. O Filipe Augusto teve uma atitude inacreditável ao sair (abrandando o passo e aplaudindo ironicamente quem o estava a assobiar, fazendo-nos perder ainda mais tempo!) e o Rafa continua a ser um grande reforço para a secção de atletismo, porque a bola atrapalha-o muito... O Jiménez marcou um bom golo, mas esteve demasiado discreto e, dos que entraram, o Pizzi mostrou a forma deplorável em que está.

Como a final four é em Braga, é natural que a equipa da casa queria estar presente e portanto antevê-se um grupo muito difícil. Eu já vi muitas crises desportivas no Benfica, mas sinceramente não me recordo de uma assim, em que parece que ficamos com alergia aos golos marcados e acabamos inevitavelmente por sofrê-los. Não estou bem a ver como é que isto se vai resolver num futuro próximo...

segunda-feira, setembro 18, 2017

“Agora sem dentes”

Perdemos no Bessa por 1-2 e, à 6ª jornada, estamos já a cinco pontos dos rivais, que continuam a contabilizar só vitórias (a lagartada 2-0 em casa ao Tondela e o CRAC 2-1 em Vila do Conde). É impossível não sentir aqui um cheirinho a 2010/11 e, curiosamente, por causa de motivos semelhantes. Mas já lá vamos.

Pelo segundo jogo consecutivo, estamos a ganhar e permitimos a reviravolta no marcador. O que torna as coisas muito piores, porque mina a confiança da equipa nela própria. Com o Lisandro indisponível, o Rui Vitória lançou o Rúben Dias, que até deu boas indicações. O jogo não poderia ter começado melhor para nós, com um centro teleguiado do Zivkovic aos 7’ para uma cabeçada do Jonas lá para dentro. Fizemos uma 1ª parte bastante razoável, com umas quantas oportunidades a remates do Jonas (mais do que um) e Zivkovic, mas ou o guarda-redes Vagner defendia ou a bola saía não muito longe do poste. Poderíamos (e deveríamos) ter dado a machadada final na partida, não o conseguimos e a história iria voltar a repetir-se…

A 2ª parte começou logo mal com mais uma lesão do Salvio. Não se percebeu muito bem em que lance, presume-se que seja muscular, mas gastámos uma substituição bastante cedo. O Cervi deve ter feito alguma coisa terrível, porque basta-lhe fazer um jogo menos conseguido para descer dois ou três lugares nas opções e, por isso, o Rui Vitória preferiu fazer entrar o corredor de 100m (Rafa) do que ele. Aos 55’, sofremos o golo do empate num lançamento lateral. Eu repito: num lançamento lateral! Bola para a área, o Luisão corta de cabeça, o Jonas não acerta bem na bola para fazer o alívio e ela fica à mercê do Renato Santos, que atira cruzado. À semelhança do segundo golo que sofremos no Bessa na última jornada da época passada, acho que o guarda-redes (neste caso, o Bruno Varela) poderia ter chegado à bola. Tal como no jogo frente aos russos, não reagimos nada bem ao golo sofrido. Ainda tivemos um remate do Jonas, que o Vagner defendeu para canto, mas não conseguíamos criar as situações de perigo da 1ª parte. E tudo piorou imenso aos 75’ num livre do Fábio Espinho ainda muito longe da área, mas com o Varela a dar um frango descomunal. Dos que não víamos desde os saudosos tempos do Roberto. Até final, jogámos mais com o coração do que com a cabeça e só num lance em que o Rafa poderia ter cabeceado e o Gabriel Barbosa (entretanto entrado) rematou fraco é que demos a sensação de golo.

O que se viu na 2ª parte apagou quase completamente o bom que se viu na 1ª, altura em que o Zivkovic foi dos que criaram mais perigo e as combinações entre ele, o Grimaldo, o Jonas e, por vezes, o Pizzi até foram surtindo efeito. Mas todos caíram a pique no segundo tempo. Falando em cair a pique, o Seferovic passou outra vez ao lado do jogo e o Filipe Augusto na posição seis continua sem convencer. Já disse várias vezes que gosto bastante do André Almeida, espero que faça a carreira toda no Benfica, mas precisamos de algo mais num titular na lateral-direita. Quanto ao Varela, é considerado o réu deste jogo, mas é a vida de um guarda-redes: nem tinha estado mal até agora, mas simplesmente não é possível sofrer-se um golo daqueles. E é um rombo enorme na confiança que havia nele (que já não era muito grande…).

No entanto, acabo por ilibar os jogadores deste mau momento. Alguns não dão mais porque não podem. Nem sabem. Não há milagres, já se sabe, e é muito irresponsável começar-se uma época sem três titulares indiscutíveis na defesa e não os substituir com alguma qualidade (nem digo semelhante, só alguma…). Tentámos conquistar o penta com o espírito daquela anedota do “olha, para mim, a andar de bicicleta sem mãos… agora sem pés…”. A probabilidade de ficarmos “sem dentes” era óbvia. As lesões continuam a suceder-se (tal como no ano passado), só que as opções de qualidade diminuíram. Junta-se a isso a má forma de elementos fundamentais na equipa e estamos a dez pontos (no total) do 1º lugar em meados de Setembro! A dez pontos! Ainda por cima, os outros já ganharam em campos muito difíceis como Guimarães (a lagartada), Braga e Vila do Conde (o CRAC). À semelhança de 2010/11, com a história do Roberto, a soberba vai custar-nos muito caro. E estando em causa a conquista de um inédito penta e a possibilidade de igualar um dos poucos recordes que não nos pertence, considero isso imperdoável.

quarta-feira, setembro 13, 2017

A jeito

Perdemos com o CSKA Moscovo (1-2) na Luz e não poderíamos ter pior início de Liga dos Campeões. Nós, equipa do pote 1, perdemos em casa com os russos do pote 4. Já se sabia que nos tinha calhado a fava deste pote 4, mas mesmo assim poderíamos perfeitamente ter tido um resultado melhor, se não tivéssemos feito, à semelhança das últimas, uma exibição paupérrima.

Como vem sendo habitual, oferecemos a 1ª parte. O Grimaldo regressou da lesão e, em relação ao Portimonense, entraram também o Filipe Augusto e o Salvio para os lugares do Samaris e Cervi. Lentíssimos e sem criatividade, só criámos perigo num remate ao poste do Grimaldo. Para tornar as coisas piores, ainda tivemos que levar com espanhol Alberto Undiano Mallenco, que não quis ver um agarrão claro ao Seferovic na área, quando estava a rodar para tomar posição.

A 2ª parte começou muito bem, já que marcámos logo aos 5’ numa boa abertura do Grimaldo para a esquerda, centro preciso do Zivkovic e desvio do Seferovic a antecipar-se ao Akinfeev. Todos pensámos que embalaríamos para uma exibição mais consentânea com a nossa qualidade, até porque os russos não tinham mostrado nada na 1ª parte. Puro engano! A papel químico da partida frente ao Portimonense, desacelerámos e começámos a trocar a bola cá atrás! Faltavam 40’ para acabar o jogo! Tudo muito bem, se aproveitássemos a subida dos russos para lançar contra-ataques, mas para isso era preciso fazer passes de ruptura, que foi coisa que nunca se viu. Estávamos convencidos que conseguiríamos manter a posse de bola longe da nossa baliza até ao final do jogo, é? Pusemo-nos a jeito e claro que aconteceu exactamente o oposto! Como é possível que ainda não nos tenhamos dado conta de que não temos equipa para fazer este tipo de jogo?! Aos 63’, o André Almeida tentou disfarçar que tinha tocado a bola com o braço, mas o árbitro, como era contra nós, viu o penalty (curiosamente, perto do final, num livre do Grimaldo, não conseguiu ver um braço descarado de um russo perto do limite da grande área). O Vitinho não deu quaisquer hipóteses ao Bruno Varela que até se lançou bem. Ficámos desorientados e sofremos o segundo golo aos 71’. A nossa defesa ficou a dormir por duas vezes, não colocando o adversário em fora-de-jogo e a seguir a uma óptima defesa do Varela, permitindo a recarga do Zhamaletdinov. Como o jogo estava, muito dificilmente conseguiríamos inverter as coisas e até final só um remate do Jiménez criou perigo (embora relativo). Seguindo a tendência, o Rui Vitória foi tirando defesas e colocando avançados, mas quando a bola não chega lá à frente, torna-se difícil. Não percebi especialmente a vantagem de ter saído o Lisandro com o Almeida a passar para central para entrar o Rafa. Faltava muito pouco para o final, é certo, mas será que o Lisandro não seria mais útil do que o Almeida, especialmente nas bolas paradas...? 

Quando um dos menos maus do Benfica é o Filipe Augusto, acho que não é preciso acrescentar mais nada. O Grimaldo também esteve razoável, enquanto teve pernas e acabou por lhe pertencer o nosso remate mais perigoso. Mas o grande problema actual do Benfica é a má forma do Jonas e do Pizzi. Sem estes dois, a equipa simplesmente não funciona. Por outro lado, não existem milagres e quando saem tantos titulares na defesa que não são substituídos, é natural que estas coisas aconteçam... O Gabriel Barbosa estreou-se e deu para ver que tem toque de bola, embora não me pareça que seja um avançado tipo Mitroglou (e convinha nós termos um com esse perfil).

A próxima partida na Champions é em Basel e, caso não consigamos um resultado positivo, a nossa presença na Europa em Fevereiro torna-se problemática. No entanto, temos que nos preocupar é já no próximo sábado com a ida ao Bessa. De recordar que o Boavista é uma das equipas à qual não conseguimos ganhar na época transacta. E não nos podemos dar ao luxo de deixar os outros dois fugirem na frente.

P.S. – Jogo de Champions e 38.323 espectadores na Luz... Já na época passada, em que tivemos uma inédita média de 55.994 espectadores no campeonato, em quatro jogos de Liga dos Campeões nunca conseguimos encher o estádio. Para reflectir...

domingo, setembro 10, 2017

Medíocre

Vencemos na 6ª feira o Portimonense por 2-1 na Luz, mas como os outros dois também ganharam (a lagartada 3-2 na Vila da Feira e o CRAC 3-0 em casa frente ao Chaves) continuamos a dois pontos deles. O título deste post acaba até por ser benevolente em relação ao nosso jogo e podemos considerar-nos felizes por o ter ganho.

O Samaris no lugar do Filipe Augusto e o Zivkovic no do Rafa foram as alterações em relação a Vila do Conde, mas à semelhança desta partida voltámos a desperdiçar a 1ª parte. Um remate do Jonas por cima logo no início e um cabeceamento também dele ao lado foram os nossos únicos lances de perigo, enquanto do outro lado o Bruno Varela foi obrigado à melhor defesa do jogo. O Portimonense surpreendeu-me pela boa qualidade do seu futebol (o japonês Nakajima deu-nos água pela barba especialmente nos primeiros 45 minutos) e fiquei a perceber porque é que o Vítor Oliveira fez as suas equipas subirem dez vezes da Liga de Honra.

Na 2ª parte, entrou o Salvio para o lugar do apagadíssimo Cervi, mas o jogo continuou muito complicado. E pior ficou quando aos 56’ sofremos o 0-1 através do Fabrício, que depois de bater o Luisão sobre a esquerda rematou rasteiro em arco, não dando hipóteses ao Varela. Pelo modo como estavam as coisas, connosco a nem sequer conseguir criar oportunidade, temi o pior, mas no futebol tudo pode mudar num segundo e assim foi aos 59’, quando o Salvio foi derrubado na área. Como estava isolado, o adversário foi expulso e o Jonas não perdoou no penalty. Logo a seguir, entrou o Filipe Augusto para o lugar do Lisandro, recuando o Samaris para central. Estando a jogar com mais um era uma substituição que fazia sentido. A partir daqui, começámos efectivamente a melhorar a nossa exibição, mas foi a altura de o guarda-redes contrário, Ricardo Ferreira, entrar em acção com um par de boas defesa a remates do Jonas e Seferovic. Também o Eliseu teve uma oportunidade soberana, mas puxou para a bola para o pé direito e o remate saiu tortíssimo. Foi no minuto anterior a sair aos 73’ para dar lugar ao Jiménez. Logo na altura pareceu-me uma substituição injustificada. Não só porque estava a ser o nosso melhor período, estávamos a criar oportunidades, o Zivkovic a extremo-esquerdo estava a ser dos melhores (e iria recuar para defesa com esta substituição), já tínhamos prescindindo do Lisandro e fazer 20’ (pelo menos) só com dois defesas de raiz era arriscado, até porque o Portimonense, mesmo com dez, não se coibia de atacar, e infelizmente e o que se passou veio a dar-me razão. Na sequência de um livre, o Luisão teve uma excelente chance de cabeça, mas atirou por cima e aos 78’ chegámos finalmente à vantagem num golão inadvertido do André Almeida que falhou maravilhosamente um centro! Ainda faltava bastante tempo para o final e cometemos um erro crasso: começámos a recuar no terreno, a jogar para os lados, a chamar o adversário, mas não conseguíamos sair a jogar em velocidade para os apanhar em contrapé. O problema era que, lá está, perdíamos a bolae só tínhamos dois defesas de raiz, o que fez com que o Portimonense se acercasse com muito perigo da nossa área. O Samaris ia imitando o Lisando em Vila do Conde, mas o corte saiu ao lado da baliza e aos 88’, como já se estava a prometer há muito, o Portimonense fez um golo. Pela primeira vez na vida, senti o que era falecer e ressuscitar pouco depois, porque a bola já estava no meio-campo quando o árbitro recebeu a indicação do vídeo-árbitro de que havia fora-de-jogo na jogada do golo e o anulou. E havia mesmo, foi milimétrico, mas para isso é que existe o VAR! Pouco depois, o jogo acabou e o alívio foi enorme.

Em termos individuais, gostei do Zivkovic, não só a atacar como a defender (embora, claro que tenha sofrido quando passou para lateral). O André Almeida acabou por ser decisivo na vitória com aquele golaço sem querer e não foi pelo Bruno Varela que a corda se ia partindo. Todos os outros estiveram muito sofríveis e já se sabe que, quando o Pizzi e o Jonas, não estão bem, todo o nosso jogo se ressente.

Foi por pouco que não ficámos já a quatro pontos dos primeiros e espero que este nível exibicional mereça a preocupação do Rui Vitória. Vem aí a Champions, mas o penta é o grande objectivo da época. No entanto, a jogar desta maneira é quase certo que não o vamos conseguir…

segunda-feira, setembro 04, 2017

Ilhas Faroé e Hungria

Vencemos os dois jogos desta etapa da qualificação por 5-1 e 1-0, respectivamente. Se no primeiro jogo no Bessa na 5ª feira passada, a vitória já era esperada, o jogo de ontem em Budapeste foi bastante complicado, mesmo tendo em conta que jogámos em superioridade numérica a partir dos 30’.

Na partida frente aos ilhéus, o Cristiano Ronaldo marcou um hat-trick, tendo o William Carvalho e o Nélson Oliveira marcado os restantes golos, mas a novidade foi termos sofrido pela primeira vez um golo das Ilhas Faroé. A vitória nunca esteve em causa, mesmo que tenhamos ido para intervalo com 2-1 no marcador. Frente à Hungria e até à expulsão, já tínhamos construído oportunidades suficientes para acabar com o jogo, mas só marcámos no início da 2ª parte através do André Silva, depois de um centro do C. Ronaldo. Controlámos até final, mas no último lance do jogo, na sequência de uma falta idiota e desnecessária do Bruno Alves, só não sofremos o empate de cabeça, porque o jogador húngaro revelou muita falta de qualidade.

Como a Suíça ganhou os seus jogos (com o Seferovic a marcar três golos!), está tudo na mesma na frente. Precisamos de ganhar em Andorra e à Suíça no último jogo para assegurarmos a qualificação directa.

terça-feira, agosto 29, 2017

Atraso

Empatámos no sábado em Vila do Conde (1-1) e ficámos a dois pontos dos rivais que ganharam ao Estoril (2-1, a lagartada) e em Braga (1-0, o CRAC). Era uma partida que se previa difícil e o foi, connosco a nunca conseguirmos colocar em prática o nosso futebol perante a boa organização colectiva do Rio Ave.

Se o André Almeida recuperou em relação ao Belenenses, o mesmo não se passou com o Salvio, pelo que jogou o Rafa na direita (e eu dizer “jogou” já estou a ser simpático para ele…). A 1ª parte resume-se muito facilmente: não fizemos nada e fomos dominámos na maior parte do tempo pelo Rio Ave. Para piorar as coisas, o Jardel lesionou-se sozinho e fomos forçados a gastar uma substituição logo aos 15’ (entrou o Lisandro). Tivemos uma única oportunidade num falhanço do Cássio que o Seferovic ia aproveitando (o remate foi interceptado por um defesa) e o Rio Ave também teve, num remate do Guedes por cima quando estava sozinho na área.

A nossa 2ª parte foi melhor (pior era difícil…), mas foi o Rio Ave a criar o primeiro lance de perigo num novo falhanço do Guedes, desta feita de cabeça. No minuto anterior, o Rafa tinha feito a única coisa de jeito no jogo inteiro, escapando em antecipação pela esquerda, mas centrou cedo demais e o remate do Cervi embateu num defesa. Se as coisas já estavam difíceis, pior ficaram aos 61’ com o golo do Rio Ave, aliás um autogolo do Lisandro, depois de um cruzamento da esquerda que o Bruno Varela conseguiu cortar, mas a bola embateu no argentino e foi para a nossa baliza. O Lisandro, que nem tinha entrado mal, marcou mais um autogolo e sinceramente já perdi a conta aos autogolos que ele tem pelo Benfica. No rácio de autogolos por minutos jogados, de certeza que bate aos pontos qualquer defesa nosso. Parece que há azares que só lhe acontecem a ele… Da maneira como o jogo estava a decorrer, temi o pior com este golo, mas cinco minutos depois o Jonas foi claramente agarrado na área na sequência de um livre a nosso favor e o sr. Hugo Miguel assinalou o penalty. O mesmo Jonas não deu hipóteses ao Cássio rematando rasteiro para o lado direito da baliza. Ainda tínhamos bastante tempo para tentar marcar o segundo, mas o inefável Rafa por duas vezes não o conseguiu (na primeira rematou ao lado e na segunda permitiu a defesa do guarda-redes pela enésima vez que esteve cara a cara com ele) e o Seferovic também proporcionou ao Cássio uma boa defesa, num remate que não deveria ter saído à figura. Perto do final, o Jiménez, entretanto entrado, teve um toque à ponta-de-lança, mas o Cássio conseguiu defender com as pernas, com a bola quase a entrar no meio delas.

Em termos individuais, pouco há a destacar. O Bruno Varela vai-se afirmando na baliza e não foi por ele que não ganhámos e o Luisão foi bastante consistente. Gosto muito do André Almeida, mas volto a repetir que ele não pode ser titular indiscutível. Precisamos de algo mais num defesa-direito. Quanto ao Lisandro, já referi tudo e, com o Jardel neste estado físico, necessitamos urgentemente de um central. Do Eliseu também não podemos esperar rasgos de génio, mas a corda também não parte por ali. O Filipe Augusto no meio-campo esteve bem a variar o flanco de jogo, mas nem tanto a correr atrás dos adversários. O Pizzi passou completamente ao lado do jogo, assim como o Cervi. Quanto ao Rafa, espero que se tenha percebido porque é que o Salvio é titular absoluto. Mesmo com os disparates que faz, a diferença é abissal. Volto a dizer do Rafa que, se calhar, é melhor experimentá-lo na secção de atletismo… O Jonas marcou bem o penalty, mas esteve muito discreto no resto do tempo, assim como o Seferovic que, nas poucas oportunidades que teve, nunca conseguiu rematar bem. O Zivkovic não entrou mal, mas perto do final demonstrou a sua imaturidade ao envolver-se com um adversário fazendo perder tempo desnecessário e o Jiménez teve poucos minutos para ser o salvador habitual em Vila do Conde, mas mesmo assim ia-o conseguindo.

Com quatro jornadas, estamos novamente a dois pontos do primeiro (tal como no ano passado), mas já empatámos onde ganhámos no ano passado, enquanto os outros dois ganharam onde empataram no ano passado. É só um indicador e vale o que vale. O que valia uma reflexão mais profunda dos nossos responsáveis é que estamos a três dias do fecho do mercado, saíram três titulares e quem os está a substituir são jogadores que já cá estavam na temporada passada (tirando o Bruno Varela, mas esse não veio para ser titular de caras). Logo, não é preciso puxar muito pela cabeça para perceber que, se calhar, a qualidade da equipa não aumentou…

P.S. – Na passada 5ª feira, decorreu o sorteio da Liga dos Campeões. Ficámos no grupo A, com o Manchester United, Basileia e CSKA Moscovo. Se em relação aos tubarões do pote 2 havia pouca escolha e mesmo assim ficámos com o que tem pior ranking, nos outros dois casos acabou por ser diferente: em teoria, o Basileia é um adversário apetecível (tendo as conta outras hipóteses como Nápoles ou Roma), mas o CSKA Moscovo era dos mais fortes do pote 4 e vamos à Rússia em finais de Novembro. É um grupo bastante aberto, onde no mínimo espero a manutenção nas provas da Uefa para 2018.

domingo, agosto 20, 2017

Goleada tranquila

Vencemos ontem o Belenenses na Luz por 5-0 e fizemos o pleno de vitórias à 3ª jornada. Com a ausência por lesão do Fejsa, estava com algum receio deste jogo, mas a nossa resposta foi categórica. Marcámos uma mão-cheia de golos e ainda nos ficámos a dever quase outros tantos.

Para o lugar do Fejsa e com o Samaris ainda castigado, não havia outra opção que não o Filipe Augusto. E o que se pode dizer é que o brasileiro fez a melhor exibição desde que chegou ao Benfica (também a bitola era tão baixa que não era difícil…), mas destacou-se sobretudo em termos atacantes. Ora, naquela posição interessa sobretudo defender e aí vi-o correr mais vezes atrás dos adversários do que seria desejável. De qualquer maneira, eu ficaria bastante mais tranquilo se o Fejsa recuperasse para Vila do Conde. Entrámos muito bem na partida e inaugurámos o marcador logo aos 2’ numa bela cabeçada do Jonas num livre do Pizzi. Pouco depois, o Belenenses pôs à prova o Bruno Varela pela única vez no jogo, na sequência de um grande disparate do Eliseu, mas o nosso guarda-redes saiu-se bem defendendo um remate complicado. Aos 28’ aumentámos a contagem através de um remate muito colocado do Salvio de fora da área na recarga a um canto em que o Luisão só não marcou, porque o guarda-redes Muriel defendeu por instinto. Cinco minutos depois demos uma machadada final nas (poucas) dúvidas que poderiam existir quando ao vencedor com o 3-0 pelo Seferovic, que correu quase meio-campo isolado pela cabeça do Jonas e, só com o guarda-redes pela frente, não falhou. Aos 42’ tivemos a maior injustiça do século, quando um remate em balão do Jonas desde o meio-campo(!) fez a bola embater no poste e não entrar. Seria o golo do milénio, definitivamente!

Na 2ª parte, baixámos consideravelmente o ritmo, mas mesmo assim o Seferovic falhou pela primeira vez só com o guarda-redes pela frente, atirando ao lado e não não aproveitando um óptimo passe do Filipe Augusto (Parem as rotativas! Temos notícia!). O Jiménez, que entretanto entrou, atirou um balázio cruzado ao poste já perto do final e parecia que o jogo ia ficar assim, mas se marcássemos mais dois golos ficaríamos com melhor diferença de golos do que a lagartada (ganhou 5-0 em Guimarães). E esses dois golos aconteceram pelo inevitável Jonas: primeiro, num óptimo remate com o pé esquerdo depois de uma boa abertura do Jiménez, e segundo a culminar uma boa jogada atacante com um cruzamento rasteiro do Pizzi na direita. É só simbólico em tão poucas jornadas, mas sabe bem estar na frente nem que seja pela diferença de golos. Os aspectos menos positivos do jogo foram as saídas do Salvio e André Almeida, ambos por lesão. Seria conveniente que jogassem para a semana.

Em termos individuais, destaque inevitável e merecido para o Jonas pelo seu hat-trick. O Pizzi encheu o campo e foi um quebra-cabeças para a defesa contrária. O Cervi voltou a fazer-se notar pelo seu espírito combativo e o Jardel caminha a passos largos para a forma que nos habituou. O Seferovic continua não só a molhar o bico, como a participar activamente no nosso jogo atacante e o lugar é mais do que dele nesta altura. O Bruno Varela está com a confiança a crescer a olhos vistos e tem resolvido bem os (poucos) problemas que lhe têm causado.

Antes da paragem para as selecções, teremos um teste muito complicado em Vila do Conde, cuja equipa é a par dos três grandes a única só com vitórias até agora. Por isso mesmo, convinha mesmo recuperar os lesionados (Fejsa, Salvio e André Almeida), porque vamos precisar de todos para seguirmos 100% vitoriosos. E isso é fundamental, porque pelo que se viu até agora há uma grande diferença entre os três candidatos e as outras equipas todas.

terça-feira, agosto 15, 2017

Sofrido mas merecido

Um golo do Seferovic aos 92’ deu-nos uma vitória ontem por 1-0 em Chaves que teve tanto de sofrida como de justa. Num campo que já se sabia que seria difícil, fizemos uma exibição razoável e especialmente na 2ª parte subjugámos completamente os flavienses.

O Rui Vitória repetiu a equipa titular frente ao Braga e voltámos a entrar bem na partida com o Salvio a ter várias oportunidades para marcar durante o primeiro tempo. Mas ou por causa do guarda-redes Ricardo, ou por manifesta falta de pontaria, ou por o Nuno André Coelho tirar a bola quase sobre a linha(!), nunca o conseguiu. O lance em que foi isolado pelo Cervi e tentou um chapéu terá sido o falhanço pior. O Chaves dava boa réplica, especialmente através da velocidade do Matheus Pereira, emprestado pela lagartada, mas não criava muito perigo para a nossa baliza e os poucos lances mais difíceis foram bem resolvidos pelo Bruno Varela. Perto do intervalo, boa iniciativa do Seferovic, novamente cortada in extremis pelo Nuno André Coelho.

O reinício da partida foi marcado por duas grandes oportunidades de ambos os lados: corte falhado de cabeça do André Almeida e remate do Jorginho para grande defesa do Varela (com a bola ainda a desviar no Luisão), e bola no poste do Jonas depois de boa jogada do Salvio na direita, com o Cervi a ver a recarga embater num defesa. Um remate cruzado do Cervi defendido pelo pé do Ricardo e uma cabeçada do Seferovic por cima, quando estava em boa posição, aumentavam o rol de oportunidades que desperdiçávamos. Vieram as substituições, com o Rui Vitória a fazer entrar o Rafa para o lugar do Cervi e o Jiménez para o do Salvio. Entretanto num livre, já o Luisão tinha atirado de cabeça fazendo a bola ainda tocar no poste. As substituições afunilaram um pouco o nosso jogo, porque passámos só a jogar com um extremo de raiz, mas foi precisamente esse extremo (Rafa) a assistir o Seferovic, depois de uma abertura genial do Pizzi, para o suíço ter um toque de classe que fez a bola entrar pelas pernas do guarda-redes, que estava à espera de tudo menos de um remate de primeira daquele ângulo. Um golão! Até final ainda entrou o Filipe Augusto para manter o meio-campo, mas o Chaves, que já tinha revelado grandes dificuldades físicas durante a 2ª parte, não conseguiu aproximar-se mais da nossa baliza.

O destaque vai obviamente para o Seferovic pelo importantíssimo golo que nos permitiu não perder pontos para os rivais que também já tinham triunfado por 1-0 nesta jornada: a lagartada em casa frente ao V. Setúbal, com um penalty que foi fotocópia daquele que sofreu o Lindelof lá no ano passado (só que este não foi marcado) e o CRAC na visita ao Tondela. O Pizzi também esteve muito bem, comandando todo o nosso jogo atacante. Os centrais Luisão e Jardel foram dois esteios da nossa defesa, e o Eliseu levou com o Matheus Pereira, que lhe fez a cabeça em água na 1ª parte. Gosto muito do André Almeida, fico muito contente que tenha renovado contrato, mas há partidas que exigem mais de um lateral-direito. Ontem foi uma delas. O Jonas foi muito bem marcado, mas ainda teve tempo de atirar uma bola ao poste.

Não me venham com tretas do golo tardio, porque não só a lagartada também o teve (e de penalty), como nós temos um crédito praticamente vitalício neste capítulo desde aqueles malfadados quatro dias em Maio de 2013. Receberemos o Belenenses na próxima jornada antes da complicadíssima visita a Vila do Conde. É fundamental chegarmos à primeira pausa do campeonato com quatro vitórias, pelo que esperemos que a equipa mantenha o nível exibicional que apresentou até agora.

quinta-feira, agosto 10, 2017

A ganhar

Depois de nove épocas consecutivas(!!!) a não ganhar na 1ª jornada, pelo quarto ano consecutivo conseguimos triunfar, desta feita frente ao Braga por 3-1. As boas impressões deixadas na Supertaça confirmaram-se ontem e voltámos a realizar uma exibição muito positiva, sendo a nossa vitória absolutamente indiscutível.

Com a mesma equipa de Aveiro, excepção feita à entrada do Eliseu para o lugar do lesionado Grimaldo, não entrámos muito bem na partida e nos primeiros minutos foi o Braga a mostrar-se mais atrevido, sem no entanto criar grandes lances de perigo. Quanto a nós, marcámos logo na primeira oportunidade que tivemos: aos 15’, o Seferovic desmarca o Jonas na esquerda, corre para a área, o brasileiro finta um opositor, cruza e o suíço só tem que encostar lá para dentro. Grande combinação atacante entre os dois avançados e um bonito golo. Os 15’ seguintes foram absolutamente loucos e, logo a seguir ao nosso golo, poderíamos ter sofrido o empate, mas o Eliseu cortou a bola mesmo antes de ela chegar ao Rui Fonte. Um passe magistral do Pizzi desmarcou o Seferovic sobre a esquerda e este, já de ângulo muito apertado, desferiu um petardo que o Matheus defendeu para canto. Jogávamos bem e um cabeceamento do Jonas passou a rasar o poste na sequência de um canto, antes de o Salvio fazer uma burrice enorme ao não desmarcar o Cervi na direita, preferindo antes rematar de muito longe à baliza. O mesmo Salvio poderia ter voltado a marcar logo a seguir num remate acrobático a centro do Cervi, mas a bola saiu por cima. O merecido segundo golo, aliás, um golão(!), lá chegou aos 30’, num remate de primeira do Jonas sem deixar a bola cair no chão depois de um alívio de cabeça de um defesa. À semelhança da Supertaça, deveríamos ter ido para intervalo com o jogo resolvido e fomos com a vantagem mínima, porque, depois de uma boa abertura do Esgaio, o Jardel foi batido nas costas pelo Hassan, que picou a bola por cima do Bruno Varela à saída deste aos 44’. Ainda antes do descanso, o Salvio voltou a ter uma óptima chance praticamente na jogada a seguir, mas rematou cruzado ao lado quando só tinha o Matheus pela frente.

A 2ª parte não teve tantas oportunidades, mas o ritmo continuou bem interessante. Um erro de um defesa isolou o Seferovic, mas veio o outro central e cortou a bola mesmo antes de o suíço rematar. O Braga teve um golo bem anulado por fora-de-jogo do Hassan e voltámos a ter dois golos de diferença aos 57’, numa boa jogada do Cervi na esquerda que centrou para a área, o Raul Silva desviou para a baliza, mas o Salvio ainda tocou na bola antes de ela entrar. Ainda faltava mais de meia hora para o final, mas conseguimos controlar muito bem o jogo, com oportunidades do Seferovic (grande remate defendido pelo guarda-redes depois de assistência de calcanhar do Pizzi) e Jonas (remate ao lado com o Matheus já batido) para aumentar ainda mais o marcador, tendo o Braga mais um golo bem anulado ao Ricardo Horta também por fora-de-jogo. Em cima dos 90’, ainda deu para o Rui Vitória promover a estreia do Diogo Gonçalves em partidas oficiais.

Em termos individuais, voltei a gostar bastante do Seferovic, que luta, preocupa-se sempre em dar a bola jogável, remata muito bem e marca golos (o que é que se pode pedir mais a um avançado?!). Um dos melhores em campo foi sem dúvida o André Almeida, não só a defender, como a ajudar no ataque, cruzando muitas vezes de forma exemplar. Ver o Jonas jogar é sempre um regalo para os olhos e o Pizzi faz-lhe excelente companhia. O Cervi, para mim, é indiscutível, porque ainda para mais se farta de ajudar a defender, ao invés, o Salvio não esteve nada bem, apesar do golo (no entanto, é tetracampeão e terá sempre o meu respeito por isso). A defesa não esteve mal, embora o Jardel tenha responsabilidades no golo. O Bruno Varela voltou a estar em plano razoável. O Filipe Augusto entrou novamente para segurar o meio-campo e ajudou a consegui-lo.

Perante um bom adversário era essencial começar a ganhar, até porque os outros dois já o tinha feito (2-0 da lagartada em Aves e 4-0 do CRAC em casa frente ao Estoril). Na próxima jornada, teremos uma deslocação bastante complicada a casa do Chaves, agora treinado pelo Luís Castro. Será um bom teste para se verificar se esta nossa subida de rendimento é consistente.

P.S. – O vídeo-árbitro confirmou (e bem) os golos anulados ao Braga pelo sr. Carlos Xistra, mas infelizmente não foi requerido por este para ver dois penalties a nosso favor (agarrão ao Jardel num canto perto do intervalo e pontapé no braço do André Almeida já na 2ª parte). Mas há por aí uma cambada de acéfalos que acha que nós fomos beneficiados…! Hilariante!

segunda-feira, agosto 07, 2017

Começo auspicioso

Vencemos o V. Guimarães (3-1) no sábado em Aveiro e conquistámos a sétima Supertaça do nosso historial. Nas últimas épocas, a tendência tem sido quase sempre a mesma: a pré-temporada raramente corre bem, mas quando chegam os jogos a sério aumentamos exponencialmente a nossa produção e ganhamos. Que seja sempre assim!

Uma rotura muscular num jogo de futebol com amigos na passada 2ª feira atirou-me para duas canadianas. Vi o caso mal parado nos primeiros dias (não conseguia mesmo andar), mas a partir de meio da semana a coisa foi melhorando (de qualquer maneira, antes eu que o Jonas!). Como me disse o meu amigo Bakero (um dos companheiros de viagem), quando soube disso pensou por segundos que eu já não poderia ir, mas depois lembrou-se que era eu e eu só não iria a um jogo do Benfica se estivesse mesmo a morrer! Confere. Gosto que os meus amigos me conheçam bem…! :-) Isto tudo para dizer que lá fui para Aveiro apoiado numa canadiana e em choque quando soube que o Júlio César não iria jogar. Quem tem a paciência de seguir este blog habitualmente, já sabe que eu não acho que qualquer Dudic ou Escalona sejam automaticamente génios só por vestir o manto sagrado e claro que tive bastante receio do Bruno Varela, a quem ainda não vi qualidades suficientes para ser uma opção válida para a nossa baliza. Aliás, tendo o Ederson dito no relvado do Jamor, há mais de dois meses, que aquele iria ser o último jogo dele pelo Benfica, custa-me muito aceitar que ainda não tenhamos ido buscar um guarda-redes que pudesse competir com o Júlio César pela titularidade. Ainda por cima, com os problemas físicos que o brasileiro tem tido nos últimos tempos… Fizemos mais de 100 M€ em vendas e não há 10 M€ para dar por um guarda-redes que dê garantias…?! Enfim, aguardemos, mas entretanto começam as competições a sério e recordo que o affair Roberto nos custou uma série de pontos logo no início do campeonato que depois nunca conseguimos recuperar. Espero que a história não se repita. Isto tudo para dizer que o Bruno Varela, excepção ao golo do V. Guimarães, até esteve em bom plano. Mas que é urgente que venha mais alguém é incontestável.

Entrámos muito fortes na partida e sufocámos o V. Guimarães durante a maior parte da etapa inicial. Fizemos o 1-0 aos 6’ numa recarga do Jonas depois de um mau alívio do Miguel Silva, guarda-redes contrário, a um cruzamento do Pizzi na direita. Cinco minutos depois, aumentámos a vantagem pelo estreante Seferovic, que foi isolado de maneira magistral pelo mesmo Pizzi e, perante o guarda-redes, rematou cruzado por baixo do corpo dele. Grande jogada e grande golo! A partida não poderia ter começado melhor. O V. Guimarães reduziu à beira do intervalo, mas até lá tivemos quatro(!) oportunidades para matar de vez o jogo: remate cruzado do André Almeida bem defendido pelo guarda-redes e três(!!!) lances em que o Salvio está cara-a-cara com o Miguel Silva e permite sempre a defesa deste. Incrível! Claro que se estava mesmo a ver o que iria acontecer: aos 43’, o Varela fica aos papéis num cruzamento para a área, não afasta bem a bola e o Raphinha marca de cabeça. Íamos para intervalo com o jogo em aberto, quando deveria já estar mais que decidido a nosso favor!

A 2ª parte foi completamente diferente. Não conseguimos manter o mesmo ritmo e, apesar de o Seferovic ter chegado atrasado a um cruzamento do Jonas e ter rematado muito torto quando até estava em boa posição, a melhor oportunidade foi sem dúvida do V. Guimarães: aos 59’, o Hurtado ainda agora deve estar para perceber como é que, só tendo que encostar depois de um centro da direita, conseguiu rematar contra o seu próprio pé! Como disse logo na altura o Bakero, “volta Bryan Ruiz, que estás perdoado!” Aos 65’, o Rui Vitória tirou o Salvio e colocou o Filipe Augusto. Em teoria estava certo, porque estávamos claramente a perder o meio-campo, mas dado que era o Filipe Augusto a entrar levei as mãos à cabeça… No entanto, adoro quando a realidade me desmente de forma positiva e o brasileiro, dado que não esteve horrível como durante a pré-temporada toda, acabou por ter um rendimento aceitável. As coisas reequilibraram-se no meio-campo, o Grimaldo voltou aos problemas físicos (mais do mesmo…), o que vale é que continuamos a ter o grande Eliseu e o Pizzi permitiu a defesa do Miguel Silva, quando só tinha pela frente, com o Seferovic a falhar a recarga. Aos 81’, entrou o Jiménez para o lugar do esgotado Jonas e acabou com o jogo dois minutos depois: falha de um adversário e assistência magistral do Pizzi para o mexicano marcar um belo golo em arco. Foi o delírio! O Sr. Artur Soares Dias resolveu dar uns inacreditáveis seis minutos de compensação, mas o resultado não se alterou.

Em termos individuais, o Pizzi foi considerado o melhor em campo, porque esteve directamente envolvido nos três golos. Estava a gostar bastante do Salvio, mas não se podem falhar três oportunidades daquelas! O Jardel subiu imenso de produção da 1ª para a 2ª parte e espero que não tenha os problemas físicos do ano passado. O Cervi destacou-se sobretudo na ajuda à defesa, até porque o Grimaldo está longe da condição ideal. Outro destaque indiscutível é o Seferovic: possante, rápido para a envergadura física que tem, preocupa-se sempre em dar a bola jogável, inclusivamente quando disputa lances de cabeça. Marcou um grande golo e, com a entrada do Jiménez, ocupou a posição do Jonas, coisa que eu não sabia que ele podia fazer. Assim sendo, é bom que não deixemos sair nenhum dos outros dois avançados (até porque agora é o Mitroglou a estar lesionado). Palavra final para o Grande Luisão que, com o seu 20º título, passou a ser o jogador mais galardoado da história do Benfica! Parabéns, grande capitão!

Com este triunfo, atingimos os 82 títulos oficiais, tendo agora o CRAC a oito de distância (74) e a lagartada a 35 (47)! Iniciaremos a tentativa da conquista do penta em casa frente ao Braga já depois de amanhã. Espera-se que as boas indicações que demos em Aveiro sejam mantidas. VIVA O BENFICA!

segunda-feira, julho 31, 2017

Emirates Cup

Depois da vergonha que passámos há três anos, pensei que nunca mais fôssemos chamados para este troféu. Fomo-lo agora e mantivemos o nível: outra vez duas derrotas, desta feita por 2-5 frente ao Arsenal no sábado e 0-2 perante o Leipzig ontem. Se quisermos olhar para as coisas pelo lado positivo, podemos sempre dizer que há três anos foi o início do bicampeonato (que já não conquistávamos há 31 anos) e tivemos melhor goal average agora (2-7 contra 2-8...). Fora de brincadeira, esta pré-época não foi nada famosa (duas vitórias e quatro derrotas) e há-de chegar uma altura em que pré-temporadas péssimas não resultem sempre em campeonatos conquistados. Esperemos que ainda não seja este ano...

Dos 180’ que fizemos, só se salvou a 1ª parte contra o Arsenal. Com a equipa titular (só faltou o Fejsa), até marcámos primeiro pelo Cervi, mas depois facilitámos por duas vezes na defesa e o Walcott bisou, antes de o Salvio repor a igualdade perto do intervalo. Tivemos boas combinações atacantes, mas fomos muito permeáveis lá atrás, o que, tendo em conta que o nosso trinco era o Filipe Augusto, não é propriamente de espantar... Sempre que o Arsenal acelerava um pouco, víamo-nos à rasca e isso foi notório na 2ª parte. O jogo de ontem frente ao Leipzig foi muito fraco até entrar o Jonas aos 60’. Bem acompanhado posteriormente pelo Walcott, Diogo Gonçalves e Pizzi, demos um ar da nossa graça, mas já estávamos a perder por 0-2.

Finda a pré-temporada, seis jogos já dão para tirar algumas conclusões:

1) Precisamos MESMO de um lateral-direito. Pode ser que o Buta se faça, mas não podemos estar dependentes disso no imediato. O André Almeida, espero que faça a carreira completa no Benfica, mas nunca poderá ser titular indiscutível. Quanto ao Pedro Pereira, faz-me ter saudades do Luís Filipe... (E estou a falar a sério.)

2) Alguém enganou o Filipe Augusto: ele, a ocupação do espaço e a bola são três problemáticas incompatíveis. Pode voltar para o sítio de onde veio. (O que faz com que o Samaris seja tão imprescindível no plantel quanto o Fejsa. Nem pensar em vendê-lo!)

3) O Walcott deu boas indicações, assim como o Diogo Gonçalves. Juntando ao Salvio, Cervi e Zivkovic, parece-me que temos extremos mais do que suficientes. É indiscutivelmente seguro corrigir o erro do passado de acharmos que jogadores vindos da lagartada podem resultar no Benfica. O Simão é a única excepção e, mesmo assim, não veio directamente. Buen viaje, Carrillo! (Não, não me esqueci do Rafa na lista dos extremos, apenas aguardo que ele mostre qualquer coisa mais do que ser um excelente reforço para a secção de atletismo. No ano passado, era porque não tinha feito a pré-época connosco. Este ano, vamos lá a ver qual é a desculpa...)

4) Guarda-redes. Eu ficaria mais descansado se viesse mais alguém. Tenho dúvidas que o Júlio César dure a época toda e o Bruno Varela não me inspira grande confiança. Sem ofensa, uma coisa é defender as redes do V. Setúbal, outra é o Benfica.

5) Centrais. Tenho dúvidas que o Luisão e o Jardel durem a época toda. O Lisandro é muito bom rapaz, já cá está há alguns anos, mas preferia-o como quatro central. Alguém que pudesse discutir a titularidade com os outros dois era bastante desejável.

6) Meio-campo. Mixed feelings sobre o Chrien. Muito bem com o Hull City, muito sofrível ontem. É novo, pode sempre rodar, mas sinceramente não sei se é de ficar no plantel. Quanto ao André Horta, continuo sem perceber muito bem porque é que está tão abaixo na hierarquia. A diferença de qualidade em relação ao Filipe Augusto é gritante. (OK, não é grande elogio, eu sei, mas é só comparar o tempo de jogo dos dois...)

7) Avançados. Jonas é de outra galáxia. Mitroglou, Jiménez e Seferovic são três para um lugar. Julgo que um dos dois primeiros irá sair, mas se assim for tenho pena. São ambos bicampeões e foram fundamentais para os dois títulos, enquanto o suíço, embora me pareça bom, ainda tem que provar que manterá um nível elevado durante a maior parte da época.

Para a semana, temos o primeiro troféu oficial e de hoje a um mês fecha o mercado. O nosso começo de época é bastante complicado e vamos lá a ver qual é a resposta que a equipa vai dar. Só não estou (muito) preocupado, porque a tendência dos últimos anos foi esta e enquanto a lagartada festeja em Julho, nós temo-lo feito em Maio. A bem das relações de boa vizinhança, por mim poderia ser sempre assim.

domingo, julho 23, 2017

Derrota enganadora

Perdemos ontem com o Hull City (0-1) em novo jogo no estádio do Algarve. Perante uma equipa que desceu esta época à II Divisão inglesa, fomos claramente superiores, especialmente na 2ª parte, e o resultado não reflecte o que se viu em campo.

Com o segundo jogo em três dias, o Rui Vitória alterou bastante a equipa e não se pode dizer que na etapa inicial os maioritariamente suplentes tenham aproveitado a oportunidade. Jogo muito lento da nossa parte, com escassas oportunidades. A 2ª foi bem melhor, apesar de termos sofrido o golo logo aos 59’ num disparate do Lisandro que tentou sair a jogar da nossa área e acabou por perder a bola. Quando entrou a artilharia pesada, as coisas melhoraram muito e, num bom lance do Seferovic, o Hull City acabou por ficar a jogar com 10, porque o suíço se preparava para ficar isolado, quando foi derrubado. No entanto, a falta de pontaria e o guarda-redes adversário impediram-nos de conseguir um resultado volumoso (sim, tivemos oportunidades para ganhar pelo menos dois jogos).

Para além do Jonas, Seferovic e Zivkovic, que mexeram bastante com a equipa, também gostei das entradas do Willock e do Chrien. Este esteve muito bem na posição oito, o que deverá tirar espaço ao André Horta que na 1ª parte poderia ter feito melhor, e o inglês parece que tem um turbo em comparação com o Carrillo (quase todos os jogadores parecem um Ferrari ao pé dele, mas enfim…). O Buta na lateral-direita pode ser que se faça jogador, mas acho muito arriscado apostar já nele a 100%. Na esquerda, o Eliseu dá garantias de uma época ao nível das anteriores, quando o Grimaldo estiver no estaleiro. Quanto aos menos, o Filipe Augusto continua sem me convencer nada, o Lisandro até nem estava a jogar mal quando teve uma das suas paragens cerebrais, e os miúdos João Carvalho e Diogo Gonçalves passaram ao lado do jogo, mas nota-se que têm toque de bola.

Já estamos em Inglaterra para o último estágio antes do início oficial da época e no próximo fim-de-semana participaremos na Emirates Cup. De preferência com melhores resultados do que da última vez que lá estivemos, sff…

sexta-feira, julho 21, 2017

Algarve Cup

Vencemos o Bétis de Sevilha por 2-1 no Estádio do Algarve e conquistámos este troféu de pré-temporada. Foi um jogo melhor do que os anteriores, embora ainda haja muito para corrigir.

Depois da goleada frente ao Young Boys, um novo desaire poderia quebrar um pouco da confiança que se quer para a equipa, razão pela qual o Rui Vitória não facilitou muito nem na equipa inicial, nem nas substituições. Inaugurámos o marcador aos 15’ num golão do Seferovic (um chapéu) depois de uma boa abertura do Jonas. Facilitámos na defesa aos 32’ e os andaluzes empataram pelo Sergio León. Na 2ª parte, marcámos o golo da vitória aos 50’, novamente pelo Seferovic bem isolado pelo Rafa.

Com três jogos já dá para tirar algumas conclusões. Por exemplo, o Pedro Pereira é para esquecer. Pode ser muito bom rapaz e tal, mas os tempos do Dudic e Okunowo (felizmente) já lá vão. Como alguém comentava, até o Luís Filipe era melhor. Mesmo o Buta, que o substituiu ao intervalo, pareceu um génio ao pé dele, mas não podemos pensar que temos Nélson Semedos aos magotes vindos da equipa B prontos para entrar na equipa. Precisamos de um lateral-direito e rápido. No meio-campo, o Filipe Augusto é outro que não dá. Pelo menos como nº 8. Lento, complicativo, pouco criativo não acrescenta nada à equipa. (A propósito, o que se passará com o André Horta...?) O Jardel terá que adquirir rapidamente a forma. Eu sei que esteve praticamente um ano parado, mas como vai ser titular indiscutível era bom que melhorasse rapidamente. O Seferovic é bom. Marcou dois excelentes golos, mas estou com receio que o Mitroglou ou o Jiménez saiam, porque três potenciais titulares para um lugar parece-me demais. O Rafa está melhor em termos defensivos e fez um bom remate cruzado, embora tenha saído ao lado (já é um princípio...). O Hermes não é nenhum génio, mas como o Grimaldo passa a vida magoado e o Eliseu já não vai para novo (e também esteve lesionado no ano passado durante um par de meses) se calhar é de o manter no plantel, até porque o bombeiro de serviço (André Almeida) não deverá poder ser desviado para a esquerda, porque vai ser preciso na direita. O Júlio César também tem que ter concorrência (e boa) na baliza.

Amanhã defrontaremos o Hull City e estamos a duas semanas da Supertaça. Era muito conveniente que recebêssemos os reforços necessários a tempo de a jogarem. Um troféu oficial é sempre para ganhar.

domingo, julho 16, 2017

Muito mau

No segundo jogo da pré-temporada, fomos ontem copiosamente derrotados (1-5) pelo Young Boys da Suíça. Mesmo tendo em conta que três dos golos foram apontados nos últimos 15’, já depois das muitas substituições, e que estamos no início da época, é um resultado que não pode deixar de nos preocupar. Sem histerismos, nem a pensar que este ano nem à Liga Europa vamos (de certeza que há malta que já acha isso), mas também não vale a pena tapar o sol com a peneira: sim, precisamos de reforços nalgumas posições-chave.

A partida até nem começou mal, connosco a chegar à vantagem aos 22’ num livre do Jonas que desviou na barreira e enganou o guarda-redes. Mas não a gozámos muito, porque os suíços empataram logo três minutos depois num mau alívio do Lisandro que acabou por se tornar uma assistência. Até ao intervalo, ainda sofremos uma bola no poste. Mas o pior estava guardado para a 2ª parte, com o Jonas a marcar muito mal um penalty e o Cervi a falhar só com o guarda-redes pela frente, e depois com cada bola que ia à nossa baliza a entrar, ajudada igualmente por muita inépcia futebolística principalmente da nossa defesa.

Tomando em conjunto estas duas primeiras partidas, há alguns jogadores que poderão sempre dizer aos netos que jogaram com a camisola do Benfica. Mas, para nosso bem, esperemos que seja só em jogos particulares. Outras há que são bons para estar no plantel (nenhuma equipa do mundo pode ter 24 Messis), mas nunca como titulares. Falando em titulares, há três indiscutíveis que saíram e até agora não entrou ninguém para o lugar deles. O que quer dizer que quem os está a substituir é quem já cá estava. Que era suplente deles no ano passado. Logo, não é preciso fazer um desenho para perceber se (até agora) perdemos ou não qualidade na equipa, pois não...?

sexta-feira, julho 14, 2017

Início

Vencemos o Neuchâtel Xamax por 2-0 no primeiro jogo da pré-temporada para a Taça Uhren. Os golos foram apontados ainda na 1ª parte, pelo Jonas de penalty aos 5’ e pelo Seferovic (estreia a marcar é sempre de saudar) aos 19’. A justiça da nossa vitória nunca esteve em causa, até porque o adversário, da 2ª Divisão suíça, se revelou bastante inferior a nós.

Com as vendas do Ederson, Lindelof e Nélson Semedo, e as ausências de 11 jogadores (entre lesionados e férias prolongadas por causa das selecções), a equipa que se apresentou estava longe de ser a que vai jogar mais vezes, pelo que o interesse destes jogos é ver quem dos novos jogadores é que se pode constituir como alternativa a curto prazo. E nesse capítulo, gostei bastante do Diogo Gonçalves (a abertura para o Jonas no lance em que este é derrubado na área é brilhante). O eslovaco Chrien, apesar de um erro enorme num atraso, pareceu-me bom jogador, o toque de bola não engana e chega facilmente à área contrária. Pode ser que se torne uma alternativa válida ao Pizzi. O Seferovic, apesar do golo, nota-se que ainda não está muito à vontade nas movimentações da equipa (o contrário é que seria de espantar). No entanto, espero que a sua vinda não implique a saída do Jiménez nem do Mitroglou. Quanto aos restantes, não houve nenhuns que se tenha destacado por aí além.

O próximo teste, frente ao Young Boys que irá disputar os play-off da Champions, deverá ser mais complicado.